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Cirurgia acordada permite ações do paciente durante o procedimento

A técnica denominada “Awake craniotomy”, também conhecida no Brasil como cirurgia acordada, é utilizada, na maioria das vezes, para retirada de tumores cerebrais, principalmente, os infiltrativos (em especial os gliomas). Entretanto, a técnica pode ser usada para outros tipos de lesões como cavernomas, epilepsia e malformações arteiro-venosas. “Sempre que for necessário, a identificação de áreas eloquentes como fala, memória, coordenação e cognição esse tipo de procedimento deve ser usado”, orienta Luiz Daniel Cetl, neurocirurgião com foco de atuação no tratamento de tumores cerebrais e epilepsia.

O método é o mesmo quando aplicado no Brasil ou no exterior com pequenas variações para a adaptação às características particulares de cada serviço. O procedimento é bem descrito na literatura médica mundial e faz parte do rol de procedimentos neurocirúrgicos. “Apesar de ser uma cirurgia não tão nova assim, esse campo ainda está em desenvolvimento e manter-se atualizado é importante, porém acredito que além de aprender, possamos também ensinar ao mundo. Neste momento, nosso grupo está estabelecendo alguns protocolos para podermos em breve iniciar algumas pesquisas que podem ajudar a desenvolver mais esse método”, revela o neurocirurgião.

De acordo com Cetl a técnica diminui o índice de sequelas definitivas, aumenta o grau de ressecção da lesão, e melhora a qualidade de vida do paciente após a cirurgia. No Brasil, ainda não existe uma estatística oficial do número de casos realizados. Na cidade de São Paulo, nos principais serviços de neurocirurgia essa cirurgia é feita (UNIFESP, Servidos Público Estadual, USP), além dos principais hospitais particulares. No restante do Estado e do País, existem vários profissionais capacitados. “O interessante é que não é necessário grandes tecnologias para esse tipo de cirurgia, utilizamos materiais que já existem há décadas. Utilizamos aparelho de Ultrassom portátil (do mesmo tipo que é utilizado para exames comuns) para localizarmos com precisão o tumor durante a cirurgia.”

O maior investimento para este processo é na formação profissional. Todos os profissionais envolvidos, em algum momento da carreira, precisaram focar no desenvolvimento das habilidades necessárias para fazer cada parte do procedimento. “Eu mesmo, em 2012, fui a Montpellier na França, no serviço do Prof. HuguesDuffau para aprimorar minha técnica, embora já tivesse participado de cirurgias acordadas antes. Isso sem dúvidas me aprimorou bastante nesse tipo de procedimento, e procuro cada ano ir a cursos específicos dessa técnica para continuar o meu desenvolvimento”, diz o neurocirurgião.

Na UNIFESP, por exemplo, a “AwakeCranotomy” é utilizada como método de estimulação. “O potencial evocado (que precisa de um neurofisiologista) porque temos essa possibilidade e nos dá mais dados do ponto de vista científico, mas existem aparelhos de estimulação que podem ser manejados pelo neurocirurgião sem a necessidade do neurofisiologista e sem comprometer o resultado da cirurgia”, explica.

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