Planejamento, experiência e boa gestão auxiliam na diminuição de riscos em obras


As obras de empreendimentos voltados à saúde, em suma, são similares a qualquer outra construção, portanto oferecem tantos riscos, quanto qualquer outro processo de obras. “O diferencial é o projeto, onde devem ser especificados materiais mais duráveis e resistentes ao grande fluxo de pessoas, aplicação de materiais de fácil limpeza e higienização, estudo minucioso dos acessos e da circulação de pessoas”, diz o vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), Paulo Oscar Auler Neto.

Por isso, a gestão de riscos dentro da construção torna-se importante para inibir possíveis problemas e dificuldades que possam surgir ao longo do processo. Segundo Auler Neto, o principal ponto de atenção é a instalação de equipamentos sofisticados e caros, que apesar de na sua maioria serem instalados pelos fornecedores dos mesmos, requerem cuidados redobrados no seu manuseio e nas atividades do entorno.

Paralelo a isso, os cronogramas enxutos requerem planejamentos mais precisos e uma gestão mais eficaz sobr\e os mesmos. Obra com cronograma apertado não é necessariamente mais arriscada, desde que tenha as atividades devidamente planejadas e acompanhadas. “Além disso, com uma boa gestão, o controle de desperdícios, descartes adequados e redução de retrabalhos somente são obtidos com uma boa gestão”.

Para Auler Neto, todos os acidentes podem ser evitados, pois geralmente o acidente “avisa” quando vai ocorrer. “A presença dos gestores nas frentes de serviço, aplicação de boas práticas de engenharia, organização e limpeza, treinamento das equipes e um processo seletivo da mão de obra são os fatores que fazem diferença em uma obra e que determinarão a taxa de frequência e gravidade dos acidentes, levando ao ”Acidente Zero”.”

Para evitar problemas, o conhecimento e a experiência adquiridos durante a carreira profissional são peças fundamentais para uma boa gestão, pois permitem uma melhor percepção, avaliação e ação sobre a realidade da obra. “A presença física permanente nos canteiros, junto aos operários, e não dentro dos escritórios, também é de suma importância permitindo ao gestor uma maior sinergia com todo o processo construtivo”, ressalta.

O vice-presidente acredita que o profissional que gere uma obra precisa ter completo domínio sobre ela e trabalhar sobre um planejamento. Quando são observados desvios, a elaboração de um replanejamento é fundamental, pois desta forma o gestor saberá identificar e atuar sobre o caminho crítico do empreendimento. “Este é um processo dinâmico e que deve ser reavaliado semanalmente, porém que permite ao gestor se antecipar aos fatos e ter uma atuação eficaz onde faz diferença, seja na cadeia de suprimentos, projeto, questões legais, pessoas ou equipamentos”.

Desafio

Com a grande demanda que se instaurou no mercado da construção civil nos últimos anos, o setor ter sofrido com a escassez de mão de obra, e a falta de qualificação potencializa os riscos de acidentes. “Também pela alta demanda de profissionais, os engenheiros e encarregados estão assumindo posições de comando cada vez mais jovens e, em alguns casos, sem a devida experiência para se antecipar e perceber os pontos críticos de uma obra, tanto nas questões técnicas, legais como também na gestão de pessoas”, finaliza Auler Neto.

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