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O “fumo de terceira mão” faz vítimas incalculáveis

Já está mais do que provado que fumar prejudica severamente à saúde em longo prazo. Existem muitos estudos mostrando que o cigarro está associado a vários tipos de câncer, doenças respiratórias, cardiovasculares, catarata, entre outras. O tabaco é tão nocivo que mesmo quem não fuma, mas convive com fumantes, pode sofrer as consequências desse vício: o fumo passivo já é a terceira maior causa de morte evitável no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). No entanto, mesmo quem não fuma e não tem contato com fumantes pode sofrer os danos das mais de 4.700 substâncias nocivas presentes no cigarro: é o chamado fumo de terceira mão. “Muita gente não sabe que os resíduos do cigarro permanecem no local, mesmo depois que o cheiro vai embora. Carpetes, cortinas, móveis e roupas, caso não sejam higienizados regularmente, podem tornar-se verdadeiros depósitos desses fragmentos invisíveis”, explica o otorrinolaringologista do Hospital CEMA, Leandros Sotiropoulos.

O fumo de terceira mão acontece porque as substâncias presentes no cigarro, quando expelidas, ficam impregnadas no ambiente. E isso não somente por algumas horas, mas por anos. Embora ainda existam poucos estudos a respeito, principalmente por ser difícil fazer a correlação de causa e consequência em longo prazo, algumas pesquisas já mostram o quanto tais partículas são prejudiciais. Um levantamento feito pelos pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institut mostrou danos à saúde das pessoas expostas a um ambiente impregnado de tabaco.

“Os fumantes devem ser conscientizados sobre os prejuízos que causam à saúde das outras pessoas também. O uso de cigarro no ambiente doméstico deve ser evitado. Nas empresas, é necessário incentivar hábitos de vida saudáveis dos funcionários e criar medidas de apoio ao fim do tabagismo. Nas áreas de lazer, bares, restaurantes e casas noturnas é importante criar estratégias para diminuir essa exposição”, alerta o médico.

Quem tem criança em casa, então, deve redobrar os cuidados, pois elas são as que mais sofrem em decorrência desse fumo “indireto”. Como têm uma respiração mais rápida e estão em mais contato com o chão, ingerem duas vezes mais poeira que os adultos. E isso inclui as partículas do cigarro. “As crianças são as mais afetadas pelo fumo passivo, apresentando quadros de asma, bronquite, pneumonias, rinites e rinossinusites”, ressalta Sotiropoulos. Os animais domésticos também entram na conta de afetados. Um estudo da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, mostrou que os pets apresentam altos níveis de nicotina nos pelos e podem sofrer com doenças, como câncer de pulmão, linfoma, problemas de pele e respiratórios.

É muito difícil fazer uma limpeza que retire essas partículas do ambiente. Os produtos atuais não conseguem remover tudo que fica impregnado. Porém, algumas medidas, como trocar carpetes e lavar as paredes regularmente, podem ajudar. Mas o mais importante é que o hábito do tabagismo seja evitado a qualquer custo. Pelo bem de todos.

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