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Conectividade e segurança de dados na saúde

A plenária “O Desafio para Conectividade e Segurança de Dados na Saúde” deu início ao ciclo de apresentações da sexta edição do CIMES. Abrindo as apresentações dos convidados, o moderador Ruy Baumer, coordenador do BioBrasil (Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria da Fiesp) e presidente do Sinaemo (Sindicato da Indústria de Artigos e Equipamentos Odontológicos, Médicos e Hospitalares do Estado de São Paulo), destacou como atualmente a conectividade é uma realidade sem volta em todos os setores no país, principalmente na área da saúde. Contudo, a questão da segurança de dados é ainda um grande desafio.

“A evolução de sistemas tem que caminhar junto com a segurança. A garantia de informações recebidas de um sensor, ou de qualquer fonte de informações, deve assegurar os dados acessados por qualquer pessoa.”

O painel contou com a participação da professora Thankam Thyvalikakath, que atualmente dirige o núcleo de informática aplicada à odontologia na Escola de Odontologia da Universidade de Indiana.

Thankam atua no desenvolvimento de sistemas capazes de utilizar a tecnologia da informação como base para aprimorar o atendimento clínico. Defende a integração dos dados da odontologia e do sistema de saúde, criando um prontuário eletrônico único, com visão completa do paciente.

De acordo com a pesquisadora, atualmente o desafio global é, sem dúvida, a conectividade. “Temos um volume grande de dados gerados pelos sistemas instalados em toda a cadeia da saúde. Mas precisamos conectar as informações. Estabelecer regras e estimular médicos, dentistas e instituições de saúde a compartilhar dados.”

“Nossa missão atual é obter dados, juntá-los e analisá-los. Esse tem sido o principal trabalho aqui no centro em Indiana. É uma questão complexa, porque são diferentes sistemas e repositórios. Os dados odontológicos, por exemplo, estão separados dos prontuários médicos. Mas um dentista tem de saber se um paciente sofre de alguma doença para tratá-lo corretamente”, contou.

O compartilhamento de dados críticos, como os históricos de saúde, é uma questão delicada. O profissional de saúde tem de resguardar o paciente. “Nosso trabalho é mostrar como estamos construindo este banco de dados único, deixar claros os mecanismos de segurança e de proteção das informações. É um trabalho de educação, de entendimento deste medo. Mas é inevitável partirmos para essa conectividade.” Thankam acredita que, na medida em que os profissionais de saúde entenderem as vantagens de compartilhar os dados, eles estarão mais confortáveis. “É um ganho de tempo no atendimento, de qualidade na relação com o paciente. Além disso, os dados podem ajudar a responder questões que esses profissionais estudam. Eles podem aprender com suas bases de dados, agregando informações capturadas por outros profissionais.”

Segurança de dados

Falando sobre o tema segurança cibernética, Fabio Campos, responsável por Cyber Security da IBM nos Estados Unidos, ressaltou a importância de todos os funcionários de uma organização terem ciência da importância do armazenamento de dados internos. “Todo mundo fala em hacker, só que nós mesmos não fazemos a nossa parte em zelar pelas informações internas. Sessenta por cento dos problemas em segurança vem de dentro das corporações, pois as pessoas deixaram de fazer algo importante, ou fizeram errado”, destaca Campos.

Provocando reflexões no público presente, ele questionou a todos se, quando falamos em segurança, realmente entendemos a relevância dos níveis de acesso a determinado tipo de informação da organização e se observamos os alertas dados diariamente no sistema. “Quantas vezes recebemos pedidos de atualização no nosso computador e ignoramos aquilo, que na verdade é um teste para colocar um band-aid para arrumar algo que não está legal.”

Campos destacou ainda que o vazamento de dados não atinge apenas pequenas empresas no país, já que companhias de grande porte no Brasil já sofreram nas mãos de hackers. “Houve o caso de um site que saiu do ar, e alguns empresários acabaram perdendo muitas informações. Isso vem da junção do crime organizado com pessoas que compactuam de dentro da própria empresa. Existe uma colaboração muito grande, e para chegar ao infrator é muito difícil.”

Finalizando o painel, Ruy Baumer enfatizou que a conectividade na área da saúde possibilita o atendimento remoto, diminui tempo e custo; mas que, por outro lado, na parte de sistemas, temos o desafio da segurança. Propôs que os palestrantes apresentassem soluções para empresas de como lidar com a segurança cibernética.

Para a Dra. Thankam, a confiança entre cliente e fornecedor deve ser valorizada. Independentemente dos processos, as empresas precisam de transparência. “Eu, como cliente final, quero saber se existem vulnerabilidades e perigos com relação aos meus dados”, pontuou a pesquisadora.

Já Campos apontou que existem programas de conscientização que as empresas estão colocando à disposição de fornecedores. “Tenho visto bastante, assim como internamente nas organizações, campanhas de conscientização sobre a importância da segurança e os riscos em relação ao vazamento de dados”, finaliza.

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