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CIMES: Saúde 4.0 integra indústria, pesquisa e financiamento

O primeiro talk show do segundo dia da 6ª edição do CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde) abordou a temática “Saúde 4.0 – Inovação e Conectividade”, assunto que vem sendo amplamente discutido no setor de saúde como um todo. Sucedendo a plenária “O desafio para conectividade e segurança de dados na saúde”, o encontro reuniu alguns dos principais nomes do segmento que, juntos, traçaram uma linha de raciocínio para que a união entre a pesquisa, a indústria e o financiamento público seja propícia à inovação e promova reais benefícios aos usuários finais.

Moderando o debate, Donizetti Louro, CEO da Lauris Tecnologia, contribuiu para que os participantes utilizassem sua expertise e sua trajetória dentro do segmento para apresentar suas expectativas a respeito das inúmeras mudanças que esta nova revolução industrial está promovendo na cadeia de saúde. “O evento promove essas discussões para que possamos nos atualizar e, em um bate papo informal, encontrar os problemas internos e corporativos, bem como visões científicas para que, juntos, possamos encontrar as melhores soluções”, comenta.

A incisiva atuação da ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios) no fomento à inovação por meio de projetos internos e da realização de eventos específicos como o CIMES, garante uma visão bastante realista sobre como a indústria enxerga as mudanças que estão sendo iniciadas graças à tecnologia. Presente no debate, o presidente da entidade Franco Pallamolla, comenta: “Quando buscamos a saúde 4.0, estamos pensando em produtividade. Como usar as novas ferramentas disponíveis para garantir o ganho de produtividade. Essa é a palavra-chave para que possamos manter o grau de competitividade das nossas empresas”.

Agregando ainda mais conhecimento tecnológico ao encontro, Jorge Vicente Lopes da Silva, coordenador do CTI Renato Archer, de Campinas (SP), apresentou o ponto de vista dos centros de pesquisa mencionando a importância da interação entre todos os players e do cuidado para prevenção de erros. “Não há um atalho a ser criado. Ou todos os envolvidos fazem da maneira correta ou os riscos são muito grandes, com perdas muito grandes”, declara sobre ser fundamental que os passos sejam dados de maneira segura principalmente por estarmos tratando de um segmento que tem interferência direta na saúde e na qualidade de vida das pessoas. Silva aproveitou a oportunidade para lembrar, inclusive, que a tecnologia pode ser muito bem utilizada durante o processo de criação e de aceitação, como no caso do uso de simulação computacional, uma ferramenta que por enquanto não é aceita para certificação na área da saúde, mas que já exerce papel fundamental em outras indústrias como, por exemplo, a aeronáutica.

A integração proposta durante congressos como o CIMES é fundamental para o desenvolvimento da cadeia de saúde. “Hoje não há mais espaço para que pensemos sozinhos. Somos equipes e precisamos de um networking sustentável para procurar players. Não podemos ficar esperando as coisas acontecerem, mas temos que entender que contar com uma equipe é indispensável para quem quer fazer, para quem está fazendo”, comenta Louro sobre a necessidade de compartilhar conhecimento entre todos os envolvidos.

Investimento e financiamento – A presença do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pela palavra de João Paulo Pieroni, chefe do departamento do Complexo Industrial e de Serviços de Saúde da organização, foi indispensável para trazer uma perspectiva atual sobre os investimentos do governo no segmento. “Até pouco tempo atrás tínhamos apenas projetos com foco em gestão hospitalar, porém hoje percebemos que existem bons casos de aplicação de saúde 4.0 e de IoT, mas são casos pontuais, não há ainda uma escala maior ou mesmo uma política mais abrangente para ser percebida de forma mais clara”, enfatiza.

Quando questionado sobre os processos do BNDES para análise e aprovação de projetos, Pieroni foi claro ao afirmar que o maior peso das análises está no reflexo que o projeto terá para o usuário final. “Na avaliação, observamos como o conteúdo tecnológico agregado àquela inovação gerará um efeito direto na saúde do paciente”, destaca.

Interessada em entender o sistema de financiamento proposto pelo banco nacional, a plateia se posicionou com perguntas interessantes sobre os processos de aprovação. Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO, e Márcio Bósio, diretor institucional da ABIMO e coordenador de programa e do comitê científico do CIMES, que assistiam ao talk show questionaram sobre como a entidade lida com solicitações de financiamento por parte de pequenas empresas e startups.

Pieroni explica que o BNDES tem, por tradição, financiar empresas que têm ativos, que são mais tradicionais, que têm fábrica e equipamentos que possam ser usados como garantias, que já têm receita. Essa é a prática bancária atual. Para as novas tecnologias teremos que repensar como financiar o intangível e é justamente aqui que está o pulo do gato”, comenta ele sobre como a nova revolução industrial também afetará os bancos tanto públicos quanto privados. “O apoio à pequena empresa questiona justamente as garantias. A primeira iniciativa é um fundo garantidor de investimentos do BNDES que, inicialmente, aportava projetos de até R$ 800 mil e, hoje, atende propostas de até R$ 3 milhões. Trata-se de um fundo que pode ser acionado e que oferece, como garantia de suas operações, até 80% do valor”, complementa ele que aproveitou para citar o Criatec, fundo de investimento e capital semente destinado à aplicação em empresas emergentes inovadoras.

O tema “Saúde 4.0” volta a ser debatido no encerramento do CIMES, na tarde desta sexta-feira, em uma plenária que debaterá o futuro desta revolução e as consequências de tantas mudanças para a cadeia de saúde. Na ocasião, Franco Pallamolla volta à mesa de debates, desta vez juntamente com Tobias Zobel, diretor executivo do Medical Valley da Alemanha; Gonzalo Vecina, professor da Faculdade de Saúde Público – USP; e Paulo Henrique Fraccaro.

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