Como engajar o paciente por meio da tecnologia

A preocupação com saúde e bem-estar nunca esteve tão em pauta. Nos últimos dois anos, a mudança de comportamento da população em adotar hábitos alimentares melhores, práticas de exercício e um estilo de vida mais saudável tem chamado a atenção do mercado e aberto oportunidades para os mais diversos tipos de aplicativos que auxiliam o usuário na gestão de sua saúde.

O grande volume de aplicativos disponíveis permite não só esse engajamento, mas também cria avalanche de dados que podem ser usados para a gestão populacional de saúde, permitindo a aplicação de ações de saúde primárias mais eficientes ou até o gerenciamento e controle de pacientes com doenças crônicas como, diabetes, hipertensão ou enfermidades cardiovasculares.

A Health-IT conversou com Nicolas Toth, presidente da ShareCare Brasil, empresa que, em fevereiro lançou oficialmente no Brasil sua plataforma, inédita e que reúne todas as informações de saúde do usuário em um só lugar, oferecendo maior controle sobre seu estilo de vida.

Como a tecnologia pode auxiliar o engajamento de pacientes e outros usuários em programas e processos de saúde?

A tecnologia possibilitará cada vez mais conhecer o paciente e realizar a atenção à saúde de maneira mais completa, com informações mais relevantes e tendo a dimensão de qual é o histórico e tendências do usuário. Dessa forma, entendemos melhor o indivíduo e essa informação, em tese, estará cada vez mais disponível para a unidade de saúde que provém a atenção para saber qual o histórico da pessoa e o que ela poderá ter.

Atualmente existem cerca de 160 mil aplicativos voltados para saúde e bem-estar. Esses aplicativos cobrem diferentes perspectivas, desde a prática de exercícios ou meditação até alimentação e controle de diabetes além de outras doenças crônicas. O fato é que todos esses aplicativos ficam mais próximos ao usuário, que passa a ter uma gestão melhor daquilo que ele vivencia. Este usuário começa a ter insights sobre o que se passa com ele e quais tipos de decisões ou atitudes ele pode tomar.

Como essa tecnologia contribui para a melhoria dos sistemas de saúde?

Nós teremos vários passos até a saúde de fato se tornar muito mais efetiva e sustentável do que é hoje. Este é um primeiro passo, democratizar e levar ao usuário algum tipo de valor, informação ou forma de suporte. Isto vai estar mais próximo das pessoas e, aos poucos, a informação começa a trafegar e o sistema todo vai se unificando.

A ShareCare, desde o início, tem essa visão. Desde de 2010, quando a empresa foi constituída ela tem como missão criar uma grande plataforma no setor de saúde onde seja possível ter todas as informações conectadas e uma visão holística do indivíduo com todos os elos da cadeia da saúde integrados.

Os 160 mil aplicativos disponíveis hoje, geram algum tipo de valor importante, mas evidentemente os usuários possuem limites para a utilização de um grande número de aplicativos. Entendemos que haverá um consolidação neste segmento, que é algo que já vem ocorrendo em outros setores para que tenhamos de fato a transformação efetiva da indústria.

Como a Sharecare trabalha as questões de segurança da informação em sua plataforma?

Temos como fundamento que a informação de saúde é do indivíduo, ele apenas autoriza que as empresas utilizem essas informações dentro das plataformas. A ShareCare respeita todas as normas nacionais e internacionais voltadas para segurança da informação e sigilo. Também trabalhamos com uma base tecnológica segura.

Nossa visão é de que quanto mais o usuário compartilhar suas informações para que mais indicadores e informações populacionais, melhores e mais embasadas serão as estratégias de gestão populacional de saúde, protocolos e outras questões relacionadas à prevenção e tratamento.

Convidamos o usuário para compartilhar suas informações para trabalharmos de uma forma muito criteriosa e positiva para o desenvolvimento de políticas e ações. Qualquer compartilhamento, seja com operadoras, empresas ou o sistema público, será limitado a indicadores populacionais, preservando individualidade e a confidencialidade existentes.