O impacto das redes sociais na imagem dos hospitais

O efeito Fla-Flu nos debates em torno da prisão do ex-presidente Lula comprometeu, na última semana, a imagem do Hospital Mãe de Deus, que foi cobrado por usuários do Twitter sobre a postura de um de seus médicos após uma discussão na rede social.

É comum presenciarmos discussões acaloradas nas redes sociais, sejam elas no Facebook, Twitter ou qualquer outra. Nos últimos anos, com o avanço da crise política e econômica houve uma polarização no discurso dos usuários das redes, similar a uma briga entre torcidas (ou você torce para meu time, ou está errado).

O ativismo digital nas redes sociais em torno dos últimos acontecimentos políticos no Brasil serviu não apenas para levantar o debate político, há muito apagado do cotidiano dos brasileiros, mas também como um alerta para as organizações que, graças às discussões extremas por parte dos usuários das redes, passaram a ter suas marcas expostas ou vinculadas à discursos de ódio, insultos e outros fatores que podem abalar a imagem e credibilidade das marcas.

O último exemplo deste triste fato ocorreu com um profissional do corpo clínico do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, quando o médico se envolveu em uma discussão envolvendo, o assassinato da Vereadora Marielle Franco, e a prisão do ex-presidente Lula. A discussão acabou com insultos por parte do profissional no Twitter direcionados à Manuela Dávila, pré-candidata à predidência da república pelo PCdoB, e uma série de usuários exigindo um posicionamento do hospital em relação ao ocorrido. Até as 10h da manhã desta sexta-feira a postagem com as telas dos insultos e a cobrança de um posicionamento alcançou 2.1 mil compartilhamentos e 4.6 mil likes.

 

Após os questionamentos, o hospital postou em seu perfil no microblog a seguinte nota: “Somos mais de 2500 pessoas que não se sentem representadas por atitudes que agridem o próximo. O Hospital Mãe de Deus repudia e não aceita comportamentos que desrespeitam a diversidade de opiniões. O funcionário envolvido nas ofensas propagadas foi afastado no último dia 6 de abril.

De acordo, com o presidente da agência de comunicação, Imagem Corporativa, Ciro Reis, é importante lembrar que tudo que é veiculado na web, seja em perfis corporativos ou pessoais é público e atemporal.  “Quantas vezes já vimos casos de publicações antigas feitas no Twitter que só foram reveladas tempos depois.”

Reis ressalta que é importante saber que estamos inseridos em uma sociedade global, online e em tempo real. Dessa forma, com todas essas conexões existentes, por esse motivo, é importante lembrar que precisamos seguir determinadas regras mínimas de respeito e fidelidade à empresa onde trabalhamos. “Algumas pessoas fazem essa separação e acham que, por estarem fora do horário ou ambiente de trabalho nada do que for dito terá efeito sobre a imagem da organização, o que é um equívoco.”

A sugestão dada pelo especialista é, em casos de discussões mais acaloradas, ou polêmicas, não deixar que as emoções falem mais alto. “Acalme-se, respire fundo e pense muito bem antes de responder. Se for o caso, responda depois. O custo de agir por impulso, como no caso do profissional do hospital gaúcho pode custar muito caro, para ele e para a instituição”, aconselha o presidente da Imagem Corporativa.