Estudo mostra que 57% dos pacientes graves nos hospitais brasileiros estão de moderada a gravemente desnutridos

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Resultados de um estudo observacional multinacional que investigou1 a situação nutricional na América Latina revelam que pacientes de unidades de tratamento intensivo (UTIs) não estão recebendo o devido suporte nutricional. Os resultados foram coletados em 116 hospitais em oito países da América Latina por meio de um estudo observacional realizado em um dia de identificação (conhecido como Screening Day) e no dia anterior a este, que avaliou 1.053 pacientes graves que receberam nutrição enteral (por sonda) e/ou parenteral (pela veia) nos descritos dias. Os resultados mostraram que 74% dos pacientes estavam moderada ou gravemente desnutridos.

O estudo “Current Clinical Nutrition Practices in Critically Ill Patients in Latin America: A multinational observational study” foi publicado recentemente na renomada revista médica internacional Critical Care. Os dados também revelam que 47,6% dos pacientes de UTIs apresentaram deficiência de proteina e 40,3% ingeriam menos calorias do que o necessário no período do estudo.

Uma análise adicional mostra que os pacientes que receberam uma combinação de nutrição enteral e parenteral tinham menor probabilidade de sofrer de deficiência energética e proteica. Apenas 28,3% dos pacientes que receberam uma combinação de nutrição enteral e parenteral e 36,4% dos pacientes que receberam apenas nutrição parenteral apresentaram uma deficiência energética, em comparação com 42,4% dos pacientes que receberam apenas nutrição enteral. De forma similar, 50,3% dos pacientes que receberam apenas nutrição enteral tiveram uma deficiência proteica, em comparação com apenas 36,2% no grupo que recebeu uma combinação dos dois tipos de forma de nutrição, e 37,4% no grupo que recebeu apenas nutrição parenteral.

Portanto, a forma mais eficaz de suporte nutricional parece ser a nutrição parenteral complementar, que aumenta a possibilidade de os pacientes atingirem suas metas energéticas diárias em 64%. Em comparação com a nutrição enteral sozinha, a nutrição parenteral complementar aumenta a possibilidade dos pacientes atingirem as metas energéticas e proteicas em 56%. Apesar disso, a combinação dos dois tipos de nutrição dentro da realidade atual era de apenas 11% nos hospitais participantes.

A desnutrição não tratada em hospitais leva a um maior risco de resultados clínicos deficientes2-6, maior taxa de retorno ao hospital e maior risco de aumento da mortalidade7. A distribuição adequada de recursos para assegurar que os pacientes sejam corretamente identificados e avaliados quanto à desnutrição é necessária para reduzir esse risco.

A desnutrição é um problema sério em nossa rotina clínica“, afirmou a Dra. Karin Papapietro Vallejo, médica e Chefe de Terapia de Nutrição Clínica do Hospital Clínico da Universidade do Chile, e uma das autoras do estudo. “Nossos achados mais recentes revelam o valor da nutrição parenteral particularmente em pacientes na UTI. Esta informação destaca a importância de implementar um protocolo de nutrição de acordo com diretrizes e recomendações para melhorar a ingestão energética e proteica dos pacientes graves que estão hospitalizados“.

O Screening Day América Latina é parte da “Unidos pela Nutrição Clínica”, uma iniciativa lançada em 2015 pela Fresenius Kabi, uma empresa global da área de saúde, especializada em nutrição clínica. Para isso, 116 hospitais em oito países latino-americanos (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Panamá e Peru) participaram do estudo que caracterizou a prática da nutrição clínica em 1.053 pacientes de UTIs. Os resultados iniciais e os relatórios do estudo podem ser encontrados no site da campanha: http://www.unitedforclinicalnutrition.com/.

 

Referências:

1. Papapietro Vallejo K, Méndez Martínez C, Matos Adames AA et al. Current Clinical Nutrition Practices in Critically Ill Patients in Latin America: A Multinational Observational Study. Crit Care 2017; 21 (1), 227. DOI: 10.1186/s13054-017-1805-z |2. Correia MI, Waitzberg DL. The impact of malnutrition on morbidity, mortality, length of hospital stay, and costs evaluated through a multivariate model analysis. Clin Nutr 2003;22: 235–9. | 3. Norman K, Pichard C, Lochs H, Pirlich M. Prognostic impact of disease-related malnutrition. Clin Nutr 2008:27:5â??15. | 4. Sorensen J, Kondrup J, Prokopowicz J, et al. EuroOOPS: an international, multicentre study to implement nutritional risk screening and evaluate clinical outcome. Clin Nutr2008;27: 340–9. | 5. Lim SL, Ong KC, Chan YH, Loke WC, Ferguson M, Daniels L. Malnutrition and its impact on cost of hospitalization, length of stay, readmission and 3-year mortality. Clin Nutr 2012; 31:345–50. | 6. Waitzberg DL, Caiaffa WT, Correia MI. Hospital malnutrition: The Brazilian national survey (IBRANUTRI): A study of 4000 patients. Nutrition 2001;â??17:573–80. |7. Fontes D, de Vasconcelos Generoso S, Correia MI. Subjective global assessment: A reliable nutritional assessment tool to predict outcomes in critically ill patients. Clin Nutr 2014;33: 291–5.