Como a tecnologia está transformando a área da saúde

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Com a Era Digital e a constante evolução das Tecnologias de Informação, a Saúde vem passando por diversas transformações, principalmente no tocante a otimização de processos e atenção à assistência.

Cada vez mais, o uso de big data e de soluções na nuvem, por exemplo, farão parte do dia a dia de médicos, profissionais da saúde e administradores de hospitais. Na prática, isso significa oferecer diagnósticos mais precisos, processos mais rápidos e mais conforto e segurança aos pacientes. O dinamismo de tais ferramentas acaba por ajudar os gestores a extrair o máximo possível de valor da infraestrutura disponibilizada ao paciente.

Adotar um sistema inteligente significa, por exemplo, menos atrasos na hora de realizar exames ou passar por consultas; eliminação de processos lentos; redução de custos e ainda ajuda a otimizar o tempo dos profissionais. “Para se ter uma ideia, um médico radiologista passa, em média, 19% do seu tempo se deslocando entre diferentes estações de trabalho. Os técnicos em radiologia, por sua vez, passam 30% do seu tempo esperando por pacientes. Entendo que as soluções digitais devem transformar esse tempo de osciosidade em tempo produtivo para os profissionais de saúde e, consequentemente, para os pacientes”, diz Paulo Banevicius, diretor de Healthcare IT da GE para América Latina.

Na prevenção e promoção da saúde, os frutos da Era Digital também traz seus resultados. Os dados gerados pelos sensores ligados ao corpo, por exemplo, podem ser gerenciados individualmente pelas pessoas, dando a elas o poder de tomar decisões sobre o estilo de vida. “Coletivamente, esses dados poderão ser gerenciados pela saúde pública, o que aumentará a capacidade do Estado de realizar ações visando melhorar a qualidade de vida e reduzir gastos com doenças, como a obesidade e sedentarismo”, pontua Carolina Matos, co-fundadora e diretora da Bloom Futures.

A impressão 3D também representa esta nova era, tornando mais acessível a fabricação de partes do corpo, por exemplo. Outra transformação será a bioimpressão de órgãos. “Quando essa tecnologia for escalonada, as pessoas que precisarem de um rim, ou um coração, por exemplo, não terão mais que ficar na fila de espera”, ressalta Carolina.

A Nanotecnologia, por sua vez, tem muitas aplicações potenciais para a detecção de células cancerosas e na distribuição mais eficaz e localizada de medicamentos. Nanopartículas de prata e óxido de zinco podem ser incorporadas em bisturis para conferir uma propriedade antimicrobiana, impedindo a proliferação de bactérias e fungos.

“As transformações vêm impactando positivamente na precisão dos diagnósticos, monitoramento no tratamento de doenças, ganho de produtividade, interoperabilidade de sistemas, antecipação para tratamentos preventivos, diagnósticos a distância, telemedicina entre outros. Conferindo excelência clínica, eficiência operacional e atendimento humanizado”, explica Robson Miguel, gerente de Digital Services Siemens.

Carlos Goulart, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (ABIMED), também acredita que as tecnologias disruptivas vem transformando o atual sistema de saúde, mas para obter resultados mais concretos e necessário antes digitalizar os processos e dados.  “A importância da era digital na saúde começa na digitalização dos processos que, hoje, são baseados em papel, que é ineficiente e causa desperdício.”

A digitalização abre caminho para um amplo acesso às informações e, consequemente, na melhoria dos cuidados médicos. Com isso, muitos encontros pessoais entre médicos e pacientes, por exemplo, poderão ser via telemedicina. Segundo a American Medical Association, 70% das consultas médicas são desnecessárias e poderiam ser evitadas por meio de consultas remotas, telefônicas ou virtuais.  Este número representa o quão importante é a tecnologia para um maior acesso à saúde.

Goulart ressalta que o aumento do uso da digitalização não significa a perda do contato humano como muitos temem. “Ao contrário, com os dados digitais é mais fácil compartilhar, consultar e obter a colaboração de diferentes profissionais para a resolução de um determinado caso, além de poder reduzir drasticamente o número de erros médicos e, consequentemente, o número de mortes decorrentes de falha humana.”

Lacunas digitais

Apesar de haver muitas tecnologias transformadoras na Saúde, muitas inovações potenciais ainda não chegaram ao mercado de forma escalonada. Isso se deve em parte por falta de estratégia, processos e cultura de inovação nas empresas tradicionais de saúde, e também por falta de entendimento do paciente ou consumidor final. “Vale ressaltar também as restrições impostas pelo regulatório”, pontua Carolina.

A digitalização também é outra barreira a ser superada, pois ainda é incipiente no país e falta integração entre os sistemas público e privado. Contudo, Goulart, da ABIMED, acredita que o Brasil já está trilhando para este caminho. “Para que práticas como a Telemedicina se amplie, é importante, por um lado, que sejam removidos entraves burocráticos e, por outro, que sejam agilizados os processos de digitalização dos hospitais.”

Robson Miguel, da Siemens, pontua também que falta visão de longo prazo e preocupação com a escalabilidade. “Nos processos de escolhas e aquisições de produtos e serviços, as instituições de saúde ainda estão focadas em resolver problemas de forma pontual e com resultados de curto prazo.”

Há muitas soluções que poderiam endereçar a estas lacunas, mas que não estão sendo aplicadas. “Peguemos um exemplo básico no segmento público, onde poderíamos resolver o desequilíbrio entre oferta e demanda de exames com um simples sistema de agendamento de exames e consultas centralizado, que pudesse ter visibilidade de todas as ofertas, fazer uma distribuição correta da disponibilidade e controlar as demandas, permitindo gerenciar os investimentos em equipamentos médicos onde há gargalos”, afirma.

Para que a melhoria dos processos possa ser aplicada, Paulo Banevicius, da GE, defende a busca por alterativas na área da capacitação dos profissionais. “É imprescindível, nessa nova conjuntura tecnológica, que os profissionais operantes das máquinas – e que também atendem os pacientes – se capacitem e sejam instigados a estudar continuamente pela instituição onde trabalham.”

Renato Garcia Carvalho, CEO da Philips do Brasil, defende a necessidade de diferentes tecnologias estarem integradas e as informações conectadas, de forma que seja possível extrair o máximo de proveito do que a tecnologia pode oferecer tanto aos pacientes, quanto às instituições, sistemas de saúde e governos.

Saúde 4.0

O termo “Saúde 4.0”, conforme é descrito pela Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde – ABIIS, é usado para destacar a importância da integração da tecnologia da informação (TI) com a manufatura e o setor de serviços (atendimento online e logística), no setor de saúde.

Esse movimento visa integrar todos os agentes da cadeia de saúde – Dispositivos e Equipamentos Médicos, Diagnóstico in-Vitro e e-Saúde, o que trará uma série de ganhos de processos, eficiência operacional, melhoria na assistência, entre outros.

“A Saúde 4.0 está muito ligada à automatização de processos, interconexão de máquinas, internet das coisas, uso de sistemas para monitoramento de processos, tomada de decisões centralizadas e integração dos sistemas com seres humanos em tempo real”, ressalta Goulart. Carolina acredita que o Brasil é um país seguidor e que investe pouco em inovações na Saúde 4.0. “A postura precisa mudar.  A Saúde 4.0 pertence hoje à iniciativa privada e ainda em um baixo nível de maturidade quando pensamos em inovações exclusivamente brasileiras. Muitas inovações vêm de fora do Brasil.”

Já Robson Miguel defende que o Brasil tem acompanhado de perto as evoluções e as tendências da Saúde Digital no mundo. “Já não temos mais significantes delays entre o que ocorre nos Estados Unidos e Europa. Temos grandes provedores atuando aqui e que tem investido no desenvolvimento e tropicalização de soluções para o segmento de saúde com foco no conceito de digital”, defende.

*Matéria publicada na 49ª edição da Healthcare Management. Clique aqui e confira a edição completa. 

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