Hospital São Rafael, em Salvador (BA), investe fortemente em reforma e construção; Unidades de Oncologia, Emergência e UTI contemplam projetos arquitetônicos humanizados e com fluxo ágil

0
33

Sustentabilidade, conforto, eficiência, humanização, acessibilidade e segurança. Essas e outras demandas são preocupações presentes nos projetos arquitetônicos do Hospital São Rafael, em Salvador (BA). A Instituição tem buscado e desenvolvido, com o auxílio de profissionais parceiros, projetos de ampliação e reforma de sua unidade.

Entre os recentes investimentos do Hospital estão a construção de um novo edifício com 12 pavimentos – com a aplicação de aproximadamente R$ 100 milhões – e a recente inauguração da Unidade de Oncologia Ambulatorial.

Esta nova Unidade conta com um Centro de Infusão de Quimioterapia e Imunobiológicos, que dispõe de 18 unidades individualizadas, 3 apartamentos e 6 unidades coletivas. “O espaço abriga ainda a Unidade de Transplante de Medula Óssea, serviço que, recentemente, atingiu a marca de 200 transplantes realizados”, comenta Liliana Ronzoni, diretora Médica do Hospital São Rafael.

Além do Serviço de Oncologia, já estão em funcionamento, neste novo prédio, uma UTI Neurológica com nove leitos de terapia intensiva e 23 leitos de observação, instalados em boxes individuais, sendo 5 estruturados com isolamento para tratar pacientes com doenças infecciosas. “Todos estão monitorizados, inseridos em uma estrutura ampla e humanizada, proporcionando melhor conforto e segurança aos pacientes que precisam passar algumas horas em observação para definição da conduta médica definitiva”.

A nova estrutura oferece, ainda, 56 leitos de internamento e um novo restaurante para colaboradores e acompanhantes de pacientes internados. Atualmente, o HSR está reformando a Unidade de Emergência Adulto (UEA), com previsão de entrega para julho deste ano.

A diretora médica explica que, além de estar sendo ampliada, a UEA receberá melhorias na infraestrutura, como equipamentos e instalação de novos serviços. “Acreditamos que, com as novas unidades, estaremos aptos para acolher nosso paciente na emergência de uma forma ágil, estruturada e segura. Da mesma forma, o paciente oncológico e transplantado de medula óssea contará com unidades de internação e de terapia intensiva exclusivas para seu atendimento com todas as condições estruturais necessárias para a sua proteção e exigidas pelas suas condições clínicas”, analisa Liliana Ronzoni.

 

Trabalho multidisciplinar

Como já disse a escritora russa Catherine de Hueck Doherty, “com o dom de ouvir vem o dom de curar”. Foi seguindo esta filosofia que os arquitetos Doris Vilas-Boas e João Martins Filho, através de um projeto realizado em conjunto pelo escritório Martins Vilas-Boas, elaboraram um trabalho multidisciplinar para as reformas das unidades de Oncologia, Emergência e UTI do Hospital São Rafael.

O projeto envolveu uma equipe multidisciplinar de  médicos, gestores e engenheiros do hospital. “O HSR é uma Instituição que preza muito pelo cuidado do paciente e pela humanização. Essa parceria foi uma experiência muito positiva”, opinam os arquitetos do escritório, referindo-se às diversas discussões realizadas em conjunto para a elaboração dos aspectos  processuais e estéticos da unidade.

Para a elaboração destes projetos, os arquitetos contam que, “além da humanização, foram priorizadas particularidades pertencentes aos eixos de flexibilidade, fluxos e segurança do paciente”.

 

Oncologia acolhedora

Concluída e já inaugurada, a obra do setor de Oncologia do Hospital São Rafael teve duração de, aproximadamente, nove meses – divididos em execução e planejamento. Segundo o escritório arquitetônico responsável pelo projeto, a ambientação do local foi pensada e estruturada visando o acolhimento do paciente. “ o paciente oncológico necessita retornar muitas vezes à unidade, por isso trabalhamos com o conceito de distrações positivas , criamos um espaço de estar com referências de casa,  ambientações diversas e sempre algo que ele possa perceber como novo.”

Para alcançar esta finalidade, foram utilizados na decoração da Oncologia acrílicos coloridos, revestimentos madeirados e obras de arte nas paredes. Em específico nessa área, Doris Vilas-Boas e João Martins Filho instalaram quadros com o trabalho do fotógrafo Rui Resende, imagens de vegetação da Chapada Diamantina (BA), como fotografias da flor Sempre-viva, típica da região.

Um grande destaque do trabalho de design de interiores da Oncologia foi a criação de ambientes que possibilitam ao paciente escolher se quer receber a medicação em grupo ou individualmente. “Caso o paciente não esteja bem e queira ficar isolado, ele será direcionado para ficar em um box”, explicam os arquitetos.

Neste espaço, o paciente tem autonomia para controlar a iluminação e a televisão do ambiente, e pode contar com a presença de um acompanhante.

Para a humanização hospitalar, todos os detalhes são importantes. Nos boxes, houve a preocupação com as poltronas utilizadas. “Priorizamos assentos que não utilizam metal. Quando o paciente está fragilizado, pode se incomodar com esse material, uma vez que fica gelado com a temperatura do ar-condicionado.”

Para os usuários que queiram fazer a medicação em grupo, o escritório Martins Vilas-Boas projetou uma área de estar no meio da unidade de Oncologia – próxima ao posto de enfermagem, onde os pacientes podem interagir, trocar experiências, unir forças.

A ala de espera da Oncologia também foi planejada visando o bem-estar dos usuários, sendo dividida em duas grandes áreas de consulta e medicamento. Nos espaços de consulta foram criados três ambientes: uma espera com televisão, outra com sala de estar e revistas, e a última composta por uma grande mesa, em que os pacientes e familiares podem se conectar à internet. “Nesta última sala temos também uma máquina de café. A ideia é que esse ambiente transmita a sensação de um cyber café”, pontuam os profissionais.

Os consultórios têm dimensão generosa, capaz de acolher em um sofá a família do paciente, que muitas vezes o acompanham na consulta.

 

Emergência com fluxo ágil

A reforma da primeira e mais antiga Emergência do Hospital São Rafael também ficou por conta dos arquitetos Doris Vilas-Boas e João Martins Filho. Entre as prioridades deste projeto, os profissionais destacam o planejamento dos fluxos de pessoas, materiais e insumos. “A arquitetura influencia diretamente na passagem e movimentação de um hospital. Um fluxo mal planejado pode impactar na vida do paciente”, evidenciam.

Foi visando um atendimento mais rápido e eficaz que Doris e Martins Filho segmentaram a Emergência em diversas salas secundárias, separando os pacientes por níveis de gravidade, de modo a criar um fluxo diferente para cada tipo de enfermo. “Quando chega com risco de vida, ele é atendido de imediato em uma sala, podendo ser levado até mesmo para a UTI. Caso não tenha um risco grave, é direcionado para um médico a fim de realizar exames ou ser medicado. Esses pacientes não se cruzam na unidade”, explicam.

No setor de Emergencia, foi criado duas esperas distintas, um primeiro espaço mais tranquilo, com um grande painel com visão da natureza. Depois do primeiro atendimento, uma segunda área de espera conta com televisão e janelas para o exterior. Depois de medicado, há ainda um terceiro ambiente de espera, seguindo assim um fluxo contínuo de cuidados.

Diferente das imagens de flores do espaço oncológico, a Emergência foi decorada com quadros com temáticas de céu e pôr do sol.

A sustentabilidade e a flexibilidade foram trabalhadas nesse ambiente através da utilização de iluminação led, materiais duráveis e não tóxicos, e paredes em drywall. Apesar de cada sala apresentar uma coloração diferente, a Emergência foi trabalhada com base neutra nos tons bege e madeira, buscando, assim como na Oncologia, uma atmosfera de lar.

Um dos destaques dessa obra foi a utilização do acrílico como transparência, material que, ao mesmo tempo que dá transparência, é seguro para o paciente, pois não quebra como o vidro. Ampliamos também o espaço de espera e utilizamos grandes janelas, criando condições para que a luz natural chegasse a este ambiente”, comentam os arquitetos.

Nesta reforma, os acompanhantes também tiveram extrema relevância. Para esses usuários em específico foi um criado um lounge na parte externa do prédio, contemplando jardim, televisão e café. “Muitas vezes o acompanhante fica perdido na unidade, então criamos um espaço para acolhê-lo. Acolhemos não só o paciente, mas seus amigos e familiares”, afirmam.

 

UTI iluminada

Os arquitetos Doris e Martins Filho também foram responsáveis pela ambientação de interiores da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Rafael, realizando um trabalho que valorizasse o máximo possível a luz natural para o ambiente.

Para alcançar esse objetivo, a equipe fez a utilização de janelas e divisórias com transparência. Para manter a privacidade do paciente, foram aplicadas persianas que, entreabertas, possibilitam a entrada de luz ao mesmo tempo que mantêm o ambiente privado. “Os  boxes possuem dimensão generosa com  bancada de serviço, janelas grandes com vista ao exterior , e espaço para acompanhante. Estamos também preocupados com a diminuição do ruído com a utilização de materiais absorventes.”

Segundo o escritório Martins Vilas-Boas, ambientes de UTI geralmente são pouco iluminados com a luz natural. “A equipe precisa ter noção de quando é dia e quando é noite. Nesse sentido, também foi importante nos preocuparmos em ter um ambiente confortável e agradável para quem está trabalhando”. Prestes a ser inaugurada, a obra na UTI contemplou uma decoração com cores tranquilas e fotografias de borboletas e pássaros.

*Esta matéria foi publicada na 24ª edição da revista HealthARQ.