Hospital Israelita Albert Einstein adota técnicas que asseguram ambientes mais humanizados e funcionais em suas reformas e inaugurações

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Uma das instituições de saúde mais renomadas do país, o Hospital Israelita Albert Einstein adota uma política bem definida para reformas e inaugurações de novas áreas, sempre com a preocupação de assegurar ambientes mais humanizados.

Segundo Junia Gontijo, diretora de Engenharia e Manutenção do Hospital, o foco dos novos projetos está em contribuir com a melhoria do bem-estar do paciente, integrando o espaço físico com o fluxo de atendimento e facilitando o dia a dia do corpo clínico na realização de suas atividades. Para isto, utiliza como pilares as experiências do paciente e do colaborador.

“Analisamos tecnicamente o ambiente, de modo a verificar o tipo e a complexidade do serviço a ser prestado na área de intervenção. Entendemos que atingimos o conceito de humanização por meio da integração de arquitetura, de atendimento assistencial e de novas tecnologias.”

Em todos os projetos são realizados levantamentos cadastrais das áreas, identificando todos os possíveis pontos de impacto. Os fluxos são analisados em conjunto com a área assistencial, levando-se em consideração o período de execução da obra e o novo fluxo pós-entrega. Neste trabalho, são identificadas todas as demais áreas no entorno que serão impactadas durante a intervenção.

“Nosso objetivo é que as obras interfiram o mínimo possível no funcionamento geral do hospital. Para que tenhamos ambientes integrados e com a mesma identidade visual, temos um caderno de padronização que é utilizado no desenvolvimento de todos os projetos”, diz Junia.

Atualmente, o Hospital Albert Einstein tem várias obras sendo executadas, particularmente no Complexo Morumbi. Com base no histórico, a instituição realiza durante o ano, em média, 60 obras. “Hoje, temos aproximadamente 95 projetos em desenvolvimento, que variam entre baixa, média e alta complexidade, além das obras em andamento.” As unidades do Einstein têm, ao todo, 350 mil m2 de área construída, sendo 221 mil m2  apenas na Unidade Morumbi.

Projetos

No desenvolvimento dos projetos de arquitetura do Hospital Israelita Albert Einstein, um importante parceiro tem sido a Pua Arquitetura. O escritório tem realizado uma série de projetos para a instituição ao longo dos últimos quatro anos, tanto na Unidade Morumbi (sede da Instituição), como nas outras unidades.

Dentre inúmeros projetos, destacam-se os seguintes:

  • Retrofit da área de Ressonância Magnética;
  • Retrofit do Pronto-atendimento Adulto;
  • Nova Unidade Ambulatorial Giovanni Gronchi;
  • Retrofit da Unidade Jardins (Casa 01);
  • Nova Unidade de Ensino Paulista;
  • Implantação do setor de “Parto Adequado”;
  • Retrofit do Acesso Principal da Unidade Morumbi (Atrium A).

Segundo o arquiteto Umoatã Almeida, sócio-diretor da Pua Arquitetura, a parceria com o Einstein se iniciou no segundo semestre de 2013 e vem se fortalecendo cada vez mais, com novos trabalhos em andamento. “Iniciamos nossa parceria com a engenharia do Hospital a partir de projetos para as áreas técnicas de Laboratórios do CETEC  (Centro de Experimentação e Treinamento em Cirurgia) e do desenvolvimento e consultoria para Projetos Aprovativos de Vigilância Sanitária.”

“Parto adequado”

Os projetos na área de Saúde, principalmente os que envolvem a instalação de equipamentos especiais – como os de imagem e de áreas específicas, como o centro cirúrgico –, requerem atenção redobrada em relação às integrações dos sistemas, às instalações novas e às redes existentes que não podem ser interrompidas.

No caso do retrofit da Ressonância Magnética realizado pela Pua no Hospital Albert Einstein, foi necessário ater-se “às adequações no que tange às exigências normativas e também considerar que este setor não poderia ser interditado totalmente para o desenvolvimento das obras”, explica Umoatã.

Quanto à implantação do programa “Parto Adequado”, a atenção especial foi relacionada às práticas, rotinas e necessidades exigidas por este tipo de projeto, que requer uso específico a ser implantado na área. “Por isso, os espaços foram pensados contemplando a lógica deste trabalho, realizado por equipes multidisciplinares no atendimento e na assistência às parturientes e aos familiares.”

Os leitos foram concebidos com espaços amplos, que oferecem às gestantes privacidade e máximo conforto possível, aliados a uma ampla gama de recursos disponíveis, tanto para momentos das terapias (com banheira integrada ao leito), como para procedimentos que requerem maior atenção da equipe assistencial e médica, evitando deslocamentos em função de eventuais intervenções necessárias.

O “Parto Adequado” é um projeto desenvolvido para o atendimento da demanda que surgiu de um convênio pioneiro firmado entre o Einstein e a Agência Nacional de Saúde (ANS), o Institute for Healthcare Improvement (IHI) e o Ministério da Saúde. Este convênio foca na identificação de modelos inovadores e viáveis de atenção ao parto e nascimento de forma humanizada, valorizando o parto normal e reduzindo o percentual de cesarianas desnecessárias na saúde suplementar.

Desafios

Para a realização dos projetos no Einstein, segundo Umoatã, os maiores desafios estão sempre relacionados à complexidade e à diversidade dos usos e fluxos do ambiente hospitalar, característica das grandes estruturas, como é o caso desta instituição.

“Nos projetos de reforma e retrofit de áreas existentes, que são grande parte dos trabalhos que desenvolvemos, somos constantemente desafiados a analisar e compreender os espaços existentes e suas interações com as áreas e setores do entorno e, em alguns casos, de todo o complexo”, relata o arquiteto.

Neste sentido, Umoatã completa: “Nesses projetos, temos que ‘ampliar’ o raio de atuação, englobando áreas maiores do que somente as do projeto em si e temos que antever as programações dos serviços de obra para a determinação das etapas de ‘faseamento’”.

É importante considerar que, na área da Saúde, novas tecnologias e materiais são apresentados o tempo todo. “Por isso, temos que nos manter constantemente atualizados às tendências do mercado, o que exige que estejamos nos reciclando e nos especializando com frequência para acompanhar as necessidades do cliente”, ressalta.

Em reformas e retrofits, uma preocupação importante é minimizar as interferências na rotina do hospital durante a realização das obras. Por isso, na fase inicial de projeto, com o apoio da equipe técnica da engenharia do Hospital e com a participação dos gestores das áreas envolvidas no trabalho, realiza-se um estudo das rotinas e práticas atendidas no setor e nas demais áreas relacionadas a elas, com o objetivo de verificar possíveis impactos e interferências.

O próximo passo é o estudo das adaptações necessárias no projeto e das eventuais divisões (em etapas) que determinarão a programação dos serviços de obra. “É sempre muito importante considerar que esta é uma área com muitas peculiaridades, em que constantemente se lida com processos que envolvem grande tecnologia aplicada, altos investimentos e, principalmente, práticas de assistência e suporte à vida”, destaca Umoatã.

Sensação de acolhimento e atenção

Segundo Umoatã, é importante para as instituições de Saúde se renovarem com frequência, a fim de atenderem às constantes inovações e tendências tecnológicas e de mercado. Afinal, como ele acentua, o objetivo deve ser a busca pela excelência nos serviços e instalações.

Para o projeto arquitetônico e de design de interiores, a prioridade é sempre favorecer a qualidade do atendimento. “A disposição dos ambientes e fluxos é pensada sempre priorizando os usuários, pacientes e seus acompanhantes e a integração dos mesmos com as equipes assistenciais, favorecendo as suas rotinas de trabalho e possibilitando a integração máxima entre as partes, buscando maior humanização do atendimento e do próprio ambiente de trabalho para as equipes”.

Os fluxos operacionais que levam à formatação das áreas, nos diferentes projetos, são sempre determinados de acordo com a interoperacionalidade e a integração dos setores envolvidos, suas áreas técnicas, de apoio e da equipe operacional/ assistencial. São considerados, também, os fluxos dos usuários, pacientes e seus acompanhantes, de modo que eles sejam levados a efetuar e menor número possível de deslocamentos e que sejam atendidos com segurança e acolhimento.

Para transmitir essa sensação de bem-estar, como ressalta Umoatã, são especificados materiais mais ‘quentes’ e acolhedores. A concepção das marcenarias também é importante. “Por isso, optamos por priorizar peças baixas, para que o paciente possa ser atendido de forma direta, sem a sensação indireta de ‘barreira’ ou ‘distanciamento’ entre as partes.”

No desenvolvimento de cada projeto, o escritório de arquitetura foca nas necessidades específicas do programa a ser atendido, o que traz um “norte” para as definições e escolhas das peças e acabamentos que serão utilizados nas áreas.

Parceria

Independente do projeto e da área em que está inserido, a Pua verifica o “macro” de sua implantação, tendo especial atenção às áreas que são lindeiras a ele, mesmo que sejam antigas, pois não se pode inserir intervenções sem considerar o meio em que estarão ambientadas.

“Não queremos que os projetos se tornem um apanhado de pequenos retalhos, compondo remendos em uma manta existente. Temos que atuar para que os projetos se insiram de forma harmônica e consonante com os espaços já consolidados”, salienta Umoatã.

A exemplo dos trabalhos realizados no Hospital Albert Einstein, o foco do escritório de arquitetura é homogeneizar as definições de acabamentos, revestimentos, luminárias e mobiliários. Tarefa desenvolvida em fina sintonia com a equipe da engenharia do Hospital, que, no caso desta instituição, é extremamente atenta e criteriosa em relação a estes aspectos e mantém os Cadernos Padrões do Hospital em constante atualização.

A parceria com o Einstein é motivo de grande orgulho para a empresa de arquitetura. “Estamos felizes em desenvolver projetos no Hospital e por fazermos parte das mudanças e atualizações que ocorrem na instituição, sempre fortalecendo nossa parceria com a equipe técnica”, afirma Umoatã, que conclui: “nesse período de trabalho junto ao Einstein, temos aprimorado muito nossos conhecimentos técnicos e nossas práticas de projeto”.

Matéria publicada na 23ª edição da revista HealthARQ