CS Bioenergia finaliza projeto que transforma lodo em energia elétrica

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A companhia formada por Sanepar e Cattalini investiu R$ 55 milhões em unidade de geração de energia a partir de resíduos com o objetivo de dar destinação final ao lodo gerado nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) e a resíduos sólidos orgânicos provenientes de grandes geradores, como restaurantes, shoppings, supermercados e centro de abastecimento (Ceasa). Até então, eles eram destinados a aterros, causando contaminação do solo e degradação ambiental.

Com a mudança, passam a ser direcionados a biodigestores, onde são decompostos e, por meio do processo de biodigestão anaeróbia, transformam-se em um gás formado por 62% de Metano e 38% de CO2. O composto é posteriormente transformado em energia por dois geradores importados da Áustria.

O projeto é resultado da sociedade entre as duas empresas, que, em 2014, anunciaram a criação da CS Bioenergia S.A, joint-venture responsável por conduzir os trabalhos. Naquele ano, a notícia do investimento de R$ 55 milhões na construção da unidade de biodigestão veio acompanhada da expectativa de conclusão em 2015. Mounir Chaowiche, presidente da Sanepar, garante que os trabalhos estão praticamente concluídos e que aguardam apenas a chegada dos motores capazes de transformar os gases em energia. As estruturas vêm da austríaca Entec. “Em abril, a obra deve ser concluída e, em maio ou junho, já estaremos produzindo o gás para, então, gerar energia”, diz.

Capacidade de produção e expectativas

A unidade terá capacidade de produzir 2,8 megawatts de energia, podendo ser expandida para 4,5 MW. Parte do potencial (0,6 MW) será direcionada à própria Sanepar e o restante, segundo cálculos da companhia, teria condições de abastecer 28 mil residências. A Copel foi convidada a comprar a produção, mas outras empresas do setor também podem registrar o interesse. Espera-se que o MWh seja vendido a R$ 170. “A possibilidade de compra será aberta ao mercado”, reforça Chaowiche.

A unidade de biodigestão fica ao lado da Estação de Tratamento de Esgoto Belém, a maior entre as 240 da Sanepar, que, para ter condições de aumentar a produção de energia pelo novo sistema, também recebe investimentos de R$ 80 milhões para ampliar a estrutura. Sozinha, ela produz 500 metros cúbicos de lodo por dia – o que representa mais de cem toneladas de resíduos. Com a reforma, o local passa a ter capacidade diária de acumular 690 metros cúbicos. “Hoje, são grandes as despesas que temos com o tratamento do lodo. Ele costumava ser convertido em adubo, mas o novo processo nos permite gerar, além de energia, receitas e lucro”, explica o presidente. A transformação da maior parte do lodo em energia deve reduzir em cerca de R$ 1 milhão os custos anuais com o trabalho.

Apesar do maior aproveitamento dos resíduos, o excedente – composto por porções líquidas e algumas sólidas – continuam virando adubos e fertilizantes, que também podem ser comercializados a cooperativas e agricultores interessados. Um estudo vem sendo feito para analisar a viabilidade no varejo.

O valor acumulado com a venda da energia, adubos e fertilizantes, segundo a Sanepar, será dedicado ao abatimento do investimento inicial no projeto – 95% dos R$ 55 milhões foram captados via financiamentos. O restante, prometem, será utilizado nos esforços para a ampliação do modelo em mais regiões do Paraná e até do Brasil.

“O sistema é referência mundial em eficiência e já muito utilizado por países como Alemanha, França Itália, Holanda, Espanha, Bélgica, Inglaterra, Suécia e Noruega, por exemplo. No Brasil, seremos pioneiros em mostrar que a estratégia funciona aqui também”, defende Luciano Fedalto, diretor técnico da CS Bioenergia S.A. O objetivo da Cattalini, uma das empresas responsáveis pela inovação, é investir R$ 300 milhões para construir no país, em três anos, pelo menos cinco unidades para tratamento de resíduos.

Para Fedalto, o projeto deve despertar interesse no mercado. “É natural que as empresas, no geral, demonstrem crescente preocupação em destinar seus resíduos de maneira consciente e correta. A adaptação já é, não apenas necessária, como urgente”, concluiu.