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Two-year-old Shakaira Chitano is held by her mother, as she is prescribed a course of medication to treat malaria from Health Surveillance Assistant (HSA) Noah Chipeta at the Chanthuntha community clinic in rural Kasungu District, Malawi, Tuesday 30 May 2017. Chipeta and other HSAs like him are able to diagnose and treat illnesses such as malaria, diarrhoea and pneumonia in children under five years of age. Malawi’s Health Surveillance Assistants (HSAs) play a key role in reducing child deaths by providing basic medical care in local community clinics, ensuring that children receive medical attention quickly, and within walking distance of their homes. In order to strengthen the capacity of health workers in delivering quality health care services, a total of 1,400 HSAs and 900 community volunteers have been trained as of April 2017 in a number of areas including cholera surveillance, Integrated Disease Surveillance and Response (IDSR), and Integrated Management of Childhood Illnesses (IMCI). The majority of HSAs hold a secondary school leaver’s certificate. They undergo an 11-week course in integrated management of childhood illnesses and are able to diagnose and treat the most common childhood illnesses. With the success of the programme over the years, HSAs’ work has expanded to include diagnosing and treating children with severe malnutrition. Malawi’s HSA programme has contributed to a significant drop in the country’s child mortality rate - since the arrival of HSAs in communities across Kasungu, the child mortality rate in the district has more than halved.

Unicef: investimentos na saúde das crianças mais pobres salvam o dobro de vidas

Novo estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra que o custo dos investimentos na saúde e na sobrevivência das crianças mais pobres do mundo, apesar de ser mais alto do que o necessário para chegar ao resto da população, é compensado por melhores resultados e salva o dobro de vidas por cada dólar gasto.

De acordo com a pesquisa Narrowing the Gaps: The power of investing in the poorest children (“Reduzir as disparidades: O poder dos investimentos nas crianças mais pobres”), cuidar das comunidades mais carentes permite um maior custo-benefício quando comparado a investimentos em grupos mais favorecidos.

O parâmetro usado pelos pesquisadores para definir quem são as pessoas mais pobres foi o da linha de pobreza moderada, utilizado pelo Banco Mundial. Desta forma, são consideradas pobres as pessoas cuja renda média é inferior a US$ 3,10 por dia. Já a linha da pobreza extrema é definida por pessoas que vivem com menos de US$ 1,90 por dia.

Ações

Seis ações de grande impacto na área da saúde foram consideradas durante a pesquisa: o uso de redes mosquiteiras impregnadas de inseticida, a iniciação precoce do aleitamento materno, cuidados pré-natais, vacinação completa, assistência de uma parteira qualificada durante o parto e tratamento para as crianças com diarreia, febre ou pneumonia.

O levantamento foi feito em 51 países onde se registram cerca de 80% do total das mortes de recém-nascidos e de crianças menores de 5 anos. Nesses países, a melhora na cobertura de saúde dos grupos mais pobres ajudou a diminuir a mortalidade infantil quase três vezes mais rapidamente do que as intervenções dirigidas para o restante população.

Como as taxas de natalidade são mais elevadas entre os pobres do que no restante da população, a redução da taxa de mortalidade de menores de 5 anos em comunidades carentes traduziu-se em 4,2 vezes mais vidas salvas por cada milhão de pessoas.

Do 1,1 milhão de vidas salvas nos 51 países durante o último ano estudado (o ano varia entre os países pesquisados), cerca de 85% correspondiam aos grupos pobres.

De acordo com informações divulgadas pelo Banco Mundial, é cada vez mais difícil retirar as pessoas da pobreza extrema, pois se encontram em contextos frágeis e zonas remotas, sem acesso a educação, saúde e outros serviços fundamentais. Em 2011, 2,2 milhões de pessoas sobreviviam com menos de US$ 3,10 por dia, uma redução pequena se comparada aos 2,59 milhões registrados em 1981.

Segundo o Unicef, se os países não começarem a investir pesadamente na luta contra a mortalidade infantil, cerca de 70 milhões de crianças morrerão antes dos 5 anos de idade até 2030.

Acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de cinco anos até 2030 é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

Brasil

No Brasil, quase 6 milhões de crianças até 14 anos vivem na pobreza extrema.

O relatório Luz da Sociedade Civil sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, lançado por integrantes do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, alerta que um dos objetivos mais ameaçados no país é o da erradicação da pobreza e da fome, item que garantiu o alcance de um dos objetivos na última década.

De acordo com dados apresentados no documento, baseado em pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual da população que vive abaixo da linha de pobreza aumentou de 12,7%, em 2013, para 13,9%, em 2015.

 

 

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