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Um sopro de otimismo no ar – Por Carlos Alberto P. Goulart

O setor de produtos para saúde está em um ponto de inflexão. O país começa a vivenciar mudanças no panorama econômico e esses novos ventos que sopram ainda timidamente chegam como um alento para que a área de dispositivos médicos possa retomar a trilha de crescimento interrompida em 2015.

Tudo indica um cenário otimista para a economia brasileira em 2018. Economistas preveem uma recuperação ainda lenta, mas com estimativa de crescimento do PIB ao redor de 2,5%, puxada principalmente pelo aumento do consumo das famílias e pela queda nos juros.

Apesar das incertezas políticas e da crise que inclusive ameaça a nota de risco de Brasil – especialistas afirmam que a S&P Global Ratings pode baixar a nota brasileira mesmo antes das eleições, tornando remotas as possibilidades de o país recuperar a posição que ocupou nos últimos cinco anos –  a inflação foi controlada e em agosto deste ano ficou em 3,51% (IPCA).

No mesmo mês ocorreu também uma queda na taxa básica de juros da economia, que chegou a 7,5% ao ano, se igualando ao seu menor nível na história, atingido entre abril e maio de 2013. Foi o 9º corte seguido da Selic, que vem caindo desde outubro do ano passado.

Setembro, por sua vez, registrou uma retomada do mercado de capitais. As transações de IPO (oferta pública inicial de ações) voltaram com força no segundo semestre.

As perspectivas de inflação controlada, crescimento do PIB e baixa nos juros criam um cenário positivo para os investimentos e geração de emprego no próximo ano.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio, a taxa de desemprego em julho de 2017 foi de 12,8%, o que representa queda de 5,1% no número de desempregados na comparação com o trimestre anterior.

Para 2018, as perspectivas indicam que a melhora no consumo gerado pela estabilização do mercado de trabalho deve estimular os empresários a ocupar capacidade e, posteriormente, a investir. E esse investimento deverá trazer um novo ciclo de contratação, fundamentado em um crescimento mais sustentável.

Segundo o IBGE, o consumo das famílias voltou a crescer cerca de 1,4% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro, e contribuiu para o crescimento de 0,2% do PIB. Paralelamente, a queda nas taxas de juros reduziu o comprometimento da renda das famílias com os pagamentos de juros e amortizações.

As projeções indicam que em 2018 o consumo das famílias represente 60% do PIB e avance 2,8%, impulsionado por um mercado de trabalho mais robusto e por uma estimativa paulatina de crescimento da massa real de renda.

Já em relação à Saúde, 2017 foi marcado por uma busca de diminuição dos gastos públicos, melhor alocação dos recursos e gestão e aumento da transparência nas operações e transações do SUS.

Os gastos com saúde cresceram mais que a receita, numa proporção de 14,2% contra 12%, respectivamente. Os planos privados continuaram a perder beneficiários, o que impactou negativamente os investimentos e compra de produtos para a saúde.

Contudo, as perspectivas de inflação controlada, crescimentos do PIB, baixa dos juros e aquecimento do consumo das famílias devem estimular os investimentos e a geração de emprego – e esse movimento tende a impactar positivamente o setor de saúde suplementar, com aumento no número de beneficiários nos planos de saúde.

Vale lembrar ainda que 2017 tem sido marcado por investimentos e expansão significativos da rede hospitalar privada. Estima-se que os negócios neste setor – que vem crescendo sustentavelmente, segundo a Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) – devem movimentar cerca de R$ 5 bilhões em dois anos, entre aquisições e fusões.

Esta somatória de indicadores aponta para uma conjuntura positiva, que renova o otimismo do setor de produtos para saúde. Algumas das principais fabricantes de equipamentos e dispositivos médicos já se preparam para essa retomada e esperam, além de um aumento de vendas, contribuir para melhorar a gestão e a eficiência de hospitais e do sistema de saúde como um todo.

* Carlos Alberto P. Goulart é presidente-executivo da ABIMED – Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde

** Este artigo foi publicado na 51ª edição da revista Healthcare Management. 

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