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Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO, fala sobre negócios, políticas e aviões

Superintendente da ABIMO (Associação Brasileira das Indústrias Médico, Odontológicos, Hospitalares e de Equipamentos de Laboratório), Paulo Henrique Fraccaro caiu de paraquedas na área da saúde e não quis mais sair. Engenheiro mecânico por formação, o executivo falou exclusivamente à Healthcare Management diretamente da Feira Médica 2016, em Düsseldorf, na Alemanha.

“Eu me transformei num engenheiro quase médico e me apaixonei pela área”, revela o executivo. A paixão pelo setor da saúde fez com que Fraccaro continuasse no corpo diretivo da ABIMO mesmo depois de aposentado. “Foi naquele momento de decisão por ficar na entidade que recebi carta branca para profissionalizar a Associação e tratá-la como uma entidade organizada. E é isso que eu faço até hoje”, salienta.

Antes de ingressar na ABIMO, trabalhei…

Como engenheiro mecânico nos primeiros anos da minha carreira em vários tipos de empresas, com diferentes produtos, como calçados e tubos para oleodutos, e quando fui trabalhar na Johnson & Johnson, ainda na área de engenharia, as pessoas perceberam que, ao acompanhar o setor de marketing e vendas para demonstração de um produto, eu era muito comunicativo. Tendo essa percepção, o meu chefe me disse que eu estava na função errada, que deveria esquecer a engenharia e ir para a área de marketing e vendas. Com isso, acabei utilizando todo o raciocínio lógico que o engenheiro tem, normalmente cartesiano, dentro de uma estrutura que era formada por pessoas em administração e vendas, e essa junção da minha cabeça de engenheiro com essa facilidade da comunicação tornava meus raciocínios fáceis de ser compreensíveis. Foi então que houve minha transferência para a área de marketing e vendas em São Paulo. Eu me transformei num engenheiro quase médico e daí eu nunca mais quis sair. Até que veio um grupo internacional que queria construir uma fábrica na área médica e precisava de um engenheiro que conhecesse a área de mercado para ajudar na construção e a introduzir os conceitos que essa empresa queria trazer para o Brasil, e o meu currículo caiu como uma luva.

O diretor executivo ideal é aquele que…

Já foi empresário, não basta ser só administrativo. Como presidente da Fresenius Hemocare e vice-presidente da ABIMO, quando me aposentei, pedi ao Franco Pallamolla para ficar uns dias a mais na Associação para entender que tipo de pessoa precisávamos ter na diretoria, e conclui que era preciso um empresário e não um profissional administrativo, porque os nossos associados querem conversar com pessoas que conheçam o dia a dia deles.  A partir de então, fui convidado a ficar e assumir esse papel.

Toda entidade deveria ter planejamento estratégico porque…

Funções bem definidas levam a melhores resultados. Eu quis profissionalizar a ABIMO em todos os segmentos e setores e tratá-la como uma entidade organizada com planejamento estratégico, orçamento e com gerentes e eu tive carta branca para isso. É o que eu tenho feito até hoje.  O bom líder é aquele que sabe ouvir e, a partir daquilo que ouve, consegue fazer um planejamento ou dar uma resposta para aquelas perguntas que chegaram até ele muitas vezes não em forma de pergunta, mas em forma de uma frase afirmativa.

É sabido que a área da saúde tem sentido os efeitos da crise econômica nos últimos anos, mas eu destacaria…

A não regulamentação de uma lei de isonomia tributária, aprovada em dezembro de 2014. Quando comecei a trabalhar dentro da ABIMO, sabia que todo mundo questionava a parte tributária do produto brasileiro e, ao mesmo tempo, nossa equipe conseguiu entender cada vez mais os motivos pelos quais o produto importado chegava ao Brasil, quando adquirido pelos hospitais públicos e beneficentes, sem pagar nenhum tributo.  Nós começamos a parar de escutar as lamúrias e fomos entender o que acontecia, e vimos que a Constituição brasileira deixava um “gap” tributário. Mexer na Constituição era muito difícil e fomos atrás do governo num trabalho de formiguinha, mostrando o caos que esse gap provocava. Foi então que tínhamos conseguido aprovar uma lei de isonomia tributária, ainda por causa da crise que o Brasil enfrentou e vem enfrentando, ela não foi regulamentada, mas estamos próximos.

Ter um hobby também é essencial para a vida profissional por que…

A pessoa tem que ter emoção de enfrentar uma segunda-feira com vontade, mas a emoção também de esperar a sexta-feira chegar para curtir aquilo que ela mais gosta. Quando eu estava na presidência da Fresenius, eu perguntava para os candidatos a uma vaga na empresa sobre dois hobbys que eles tinham na vida, caso respondessem trabalhar ou jogar futebol, eu já descartava. Todos precisam ter um momento mágico.

Embora apaixonado pela saúde, meu lado engenheiro sempre…

Esteve forte comigo. Eu sempre gostei de caminhões, tratores e, principalmente, trens. Meu sonho é ainda ter um sítio em Jaú, interior de São Paulo, e comprar uma locomotiva abandonada para deixar implantada em meu refúgio, nem que eu tenha só 150 metros de trilhos para ir para frente e para trás. Mas como isso não aconteceu, tenho o hobby de miniaturas de trens, e é interessante, pois eu compro cada vez mais locomotivas menores. Como eu gosto de ver detalhes, preciso ter uma lupa cada vez maior e, às vezes, fico numa briga com as lentes para poder enxergar o por menor do trem.

Caso eu não fosse engenheiro mecânico nem trabalhasse na saúde, eu seria…

Piloto de avião. Tem gente que gosta de pescar, porque, naquele momento, não se lembra de ninguém da família, só da isca e do peixe, mas eu nunca tive paciência para pescar, embora meu pai fosse um bom pescador. Mas desde criança eu sou apaixonado pela aviação, eu queria ser piloto. Porém, eu tinha uma alta miopia e, naquela época, para ser piloto era preciso ter as vistas perfeitas, mas com o passar dos anos a legislação foi sendo modificada e o uso de lentes corretoras ou óculos passou a ser permitido para voar. Claro que eu, depois de certa idade, fui atrás desse sonho e comecei a frequentar escolas de pilotagem. Optei por aviões muito pequenos, sempre monomotores, porque eu queria ter o prazer de voar. Então, comecei a frequentar aulas e cursos de pilotagem.  Nunca consegui terminar os cursos, por isso que até hoje, ao fazer minha pilotagem, procuro ter um copiloto com muito mais experiência do que eu, pois a pilotagem precisa ter constância e minha vida ainda é atribulada, mas é um momento que eu só olho para baixo e para frente, porque tenho que manter o nariz do avião prumado no horizonte.

*matéria publicada na edição 45ª da Healthcare Management.

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