Home / Saúde Online / Hospital Márcio Cunha adota forte política de custos para manter a balança equilibrada com cerca de 75% dos procedimentos destinados ao SUS
Caring nurse or doctor holding elderly lady's hand with care.

Hospital Márcio Cunha adota forte política de custos para manter a balança equilibrada com cerca de 75% dos procedimentos destinados ao SUS

Constituída como Entidade Filantrópica de direito privado, a Fundação São Francisco Xavier (FSFX) é reconhecida pelo Ministério da Previdência e Assistência Social como uma Entidade Beneficente de Assistência Social. Entre os seus braços de atuação está o Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, no Leste de Minas Gerais, com 530 leitos em duas unidades de internação, além de uma terceira unidade exclusiva de oncologia e outras duas unidades menores, que auxiliam na descentralização da realização de exames de diagnósticos.

Por ano, são realizados, em média, mais de 1 milhão e 800 mil exames laboratoriais e de diagnóstico; 266 mil consultas, cerca de 120 atendimentos no Pronto-Socorro, além de 6 mil partos, 31.600 internações, 15 mil cirurgias, 37 transplantes renais, 20 mil quimioterapias e outras 16 mil radioterapias.

Levar qualidade e tecnologia exige da gestão um extremo cuidado em suas contas. “Por isso, nossas diretrizes têm sido no sentido de buscar o equilíbrio dos custos, evitando qualquer tipo de desperdício”, explica Luís Márcio Araújo Ramos, diretor executivo da FSFX.

Ao adotar uma forte política de custos e diluição de custos fixos, o Hospital Márcio Cunha, hoje, consegue garantir sua sustentabilidade, mesmo atendendo a 74% dos procedimentos por meio do SUS.

Para chegar a resultados satisfatórios em sua balança financeira, a Fundação incorporou em sua Governança Corporativa a sustentabilidade como valor. “Estimulamos nossos colaboradores a participarem ativamente nesse sentido. Programas institucionais reforçam a importância das iniciativas de consumo consciente, da economicidade e da utilização eficiente e produtividade de todos os nossos recursos disponíveis”, explica Ramos.

Desde 2010, a Fundação tem o programa corporativo Otimizar para Sustentar, que trabalha para identificar oportunidades de racionalização de recursos para minimizar custos de serviços e elevar a produtividade, de forma sustentável. Nesses seis anos, já foram geradas economias reais de aproximadamente R$ 20 milhões, valor que corresponde a 40% do plano de investimentos da instituição. O programa tem sido aperfeiçoado ao longo dos anos, com participação efetiva de aproximadamente 200 colaboradores. Uma das últimas melhorias foi a incorporação da metodologia Lean 6 Sigma, com formação de 26 green belts e um black belt.

 Entre algumas iniciativas conduzidas estão a renegociação e unificação de contratos, incluindo a troca de alguns fornecedores, revisão e padronização de materiais, com redução significativa dos custos.

Os investimentos da FSFX sobre o Hospital Márcio Cunha concentram-se em infraestrutura. Nos últimos anos, foram investidos mais de R$ 50 milhões na ampliação das estruturas. Outro esforço grande tem sido desenvolver políticas de valorização dos colaboradores, com grandes investimentos em desenvolvimento.

Desafios da Filantropia

O grande desafio das instituições filantrópicas é manterem-se equilibradas economicamente e esta também é uma realidade do Hospital Márcio Cunha. “É necessário um esforço de ampliação de recursos para as ações de saúde. Concomitantemente, é preciso melhor organizar o sistema de saúde, fortalecendo o conceito de redes de atenção à saúde”, afirma Luís Ramos, diretor executivo da FSFX.

O executivo analisa ainda que somente no segmento hospitalar, o que se observa é um grande número de pequenos hospitais, com dificuldades financeiras, baixa produtividade e sérios problemas de qualidade dos serviços prestados, além do problema de vinculação dos profissionais. “Precisamos fortalecer as unidades hospitalares regionais de maior porte, que atendam a uma região assistencial, estabelecendo pactos assistenciais e financeiros, que sejam efetivamente monitorados e cumpridos.”

Hoje, os limitados recursos se perdem ao serem distribuídos a vários pequenos hospitais, afirma Ramos, sem que se tenha um impacto assistencial positivo. “Com unidade hospitalares sólidas e de referência, e pactos assistenciais e financeiros efetivos, avançaremos com uma melhor organização do segmento hospitalar. Aqueles hospitais que, num diagnóstico de rede, não cumprissem os pré-requisitos técnicos de sustentabilidade econômica e assistencial, poderiam ser transformados em Unidades Básicas de Saúde ou outros pontos de atenção à saúde.”

A profissionalização da gestão das entidades filantrópicas também é outra deficiência apontada pelo executivo. “Temos ainda muitas entidades geridas por seus próprios benfeitores. Nada contra eles. Não tenho dúvidas de que podem continuar contribuindo, mas, para a gestão, precisamos garantir uma visão empresarial de controles rígidos, de apuração de custos, de produtividade e de eficiência operacional.”

“A maioria dos hospitais filantrópicos do país opera em déficit que, atualmente, ultrapassa a casa dos R$ 17 bilhões. Apesar da remuneração defasada não ser a única causa dos problemas dos hospitais, certamente este fator impacta de maneira considerável”, pontua Ramos.

Tecnologia

Recentemente, o Hospital Márcio Cunha vem trabalhando na substituição de todos os sistemas informatizados, com profunda revisão dos processos. O objetivo é obter informações mais ágeis e com mais qualidade, visando melhor amparo às tomadas de decisões. “Mesmo com todas as dificuldades, estamos expandindo os nossos negócios, ampliando as nossas escalas e diluindo custos fixos”, ressalta Ramos.

Sobre

Veja também

Carlos Eduardo Gouvêa, do IES, fala sobre as ferramentas de Governança e Compliance como estratégia para garantir a sustentabilidade do mercado de saúde

O Brasil avançou rumo a uma maior transparência na área da saúde. É o que …