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Em busca de um Hospital mais eficiente e acolhedor – Por Marcia Mariani

Trabalho há muitos anos na área de saúde, desde meus dezoito anos. Ingressei no mundo dos hospitais por uma sugestão de minha mãe, que tinha uma conhecida que trabalhava em um hospital e a avisou que existia uma vaga no setor de contabilidade. Eu estava procurando uma recolocação e foi neste encontro da necessidade com a oportunidade que entrei para o mundo da administração hospitalar.

Nesta nova jornada, aprendi muito sobre como podemos ser úteis à instituição onde trabalhamos. Havia um verdadeiro espírito de equipe onde nós, os colaboradores, estávamos sempre atentos às necessidades dos colegas. Acabávamos nosso trabalho e logo procurávamos algum colega que estivesse precisando de ajuda.

Naquele tempo, os processos eram quase todos manuais, o computador era uma máquina gigante que ficava protegida em uma sala, como se ali houvesse um grande tesouro. As contas dos pacientes eram fechadas manualmente, lançamento a lançamento em planilhas de papel.

Acreditem, leitores, nós fazíamos apostas com nosso trabalho, existem duas que me lembro ternamente. Uma era o fato de que apostávamos quem fechava mais contas de pacientes para entregar ao setor faturamento. A outra aposta, que para nós era muito divertida, consistia em verificar quem conseguia somar mais rápido.

A aposta consistia em fazer as somas em um tempo por nós determinado, após o “período”, os participantes da competição contavam os dígitos impressos e quem tivesse mais dígitos impressos era o ganhador.

O auge de nossa prova como equipe foi um fato ocorrido com nossa líder. Ela ficou doente próximo a data de entrega do balancete. Nós ficamos muito preocupados com a possibilidade dela levar alguma punição por não entregar o balanço no prazo. Então, nos reunimos e tomamos a seguinte decisão: vamos adiantar a elaboração do balanço para não deixa-la em situação delicada e, silenciosamente, assim fizemos.

Como? Podem vocês perguntar! Respondo: somando nossos conhecimentos, pesquisamos nossas dúvidas, trabalhando muitas horas a mais de nossa jornada, ou seja, colocamos em prática o conceito de sinergia. Quando ela voltou, encontrou o trabalho quase pronto e conseguiu entregar o balanço no prazo.

Algum tempo depois durante uma aula de TGA – Teoria Geral de Administração – conheci a famosa história da Mensagem A Garcia, texto literário de Helbert Habbard. Resumidamente diz: quando na época da guerra entre Espanha e Estados Unidos, fazia-se premente comunicar-se com o líder Garcia, que, estrategicamente, estava escondido no Sertão Cubano. Qualquer forma de comunicação seria descoberta, apenas uma única alternativa existia, enviar a mensagem por um soldado. A fama de Rowan já era conhecida, e a ele o Presidente Mckinley confiou uma carta selada para ser entregue a Garcia. Rowan passou por hercúleas dificuldades, mas entregou a carta destinada á Garcia.

Tenho muito orgulho de ter trabalhado com muitos jovens como Rowan que, apesar de todas as dificuldades, cumpriam suas missões. Hoje, presenciamos nos hospitais a exaltação das dificuldades, dos problemas, da incerteza se esta tarefa está dentro das atribuições. Mesmo com tantas ferramentas idealizadas para a realização dos processos com eficiência e qualidade, faltam pessoas iguais a Rowan. Faltam pessoas que quando recebem uma tarefa só param quando cumprem esta tarefa.

Escutamos com frequência: “não é comigo”, “não posso fazer nada”, “sinto muito são as normas”, “não me sinto confortável”, entre outras frases que deixam frustrados. É tão gratificante encontrar com um Rowan quando temos alguma necessidade, concorda?

Os mais inteligentes e avançados processos não promovem a eficiência desejada sem a perseverança, o idealismo, o ânimo, a garra e o amor das pessoas envolvidas. Procuram-se mensageiros para tornar o hospital um lugar eficiente, tecnológico, acolhedor, enfim, um lugar onde pessoas cuidam de pessoas.

 

*Artigo escrito por Márcia Mariani, Diretora da SIA- Serviços de Inteligência Ambiental, Administradora, pós-graduada em Meio Ambiente e Liderança.

*Artigo publicado na 48ª edição da Healthcare Management. Clique aqui e confira a edição completa. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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