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“É propagar na sociedade a importância da vacinação”, diz presidente da ABCVAC

Termina hoje a campanha nacional de vacinação contra o Sarampo e a Poliomelite em todo Brasil. Segundo o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, cerca de 800 mil crianças ainda não foram vacinadas contra as doenças. A campanha terminaria no início do mês, mas somente 91,3% do público alvo foi vacinado, o que gerou a necessidade de ampliar o prazo. O objetivo inicial era vacinar todas as crianças de 1 a 5 anos.

O surto dessas doenças fez com que houvesse falta de vacinas em alguns estados brasileiros, ao mesmo tempo em que as campanhas de vacinação esbarram no problema da evasão às vacinais, um problema que atinge tanto o setor público quanto privado. Geraldo Barbosa, presidente da Associação Brasileira de Clínica de Vacinas (ABCVAC), explica que para ser mais efetiva, a vacinação no Brasil tem ainda muitos obstáculos a superar.

Confira na entrevista!

Recentemente, alguns estados brasileiros passaram por surtos de sarampo, o que gerou grande filas e até falta de vacinas pela rede pública em alguns lugares. Como as clínicas de vacinas da rede privada atuaram para auxiliar no controle da doença?

R: Estamos passando por estas dificuldades pela falta de cobertura vacinal, ou seja, a vacinação não tem respeitado o calendário vacinal por parte da sociedade, que deveria tomar a vacina na data preconizada e recomendada pelos médicos, pelas entidades científicas e pelo Programa Nacional de Imunização. As clínicas privadas têm se esforçado para orientar e manter a vacinação em dia de seus pacientes, mas infelizmente devido à falta constante do fornecimento da vacina pelos fabricantes e em muitos casos pelo aumento inesperado da doença e a dificuldade de resposta na produção da vacina, tais medidas ainda não são realizadas a contento.

Algumas regiões do Brasil, onde existe uma dificuldade maior de acesso, também têm sofrido com o surto de sarampo. Como atingir esse público alvo?

R: Não podemos em hipótese nenhuma atrelar a baixa cobertura vacinal na dificuldade de logística da vacina, mesmo o Brasil sendo um país de dimensões continentais, com diferenças sócio econômicas significativas, a prova disso é a quantidade de vacina desprezadas anualmente no serviço público devido à pouca procura. A volta de diversas doenças e o aumento de surtos está na não incorporação na cultura da sociedade de que a vacinação é única maneira comprovadamente eficaz para o controle e a erradicação das doenças preveníveis pela vacinação. A mídia tem um papel significativo para orientar e esclarecer a população. Mesmo com uma divulgação enorme tanto da mídia espontânea como de propaganda oficial do governo sobre os números de casos confirmados de Sarampo, não alcançamos a cobertura vacinal nesta última campanha de vacinação contra Sarampo e Poliomielite.

Como lidar com esse problema da evasão às vacinas?

R: Só existe um caminho possível para aumentamos a cobertura vacinal, que é propagar na sociedade a importância da vacinação tanto em caráter pessoal, como coletivo. Vacinar deve ser ato de cidadania, mas precisamos de resgatar urgentemente a confiabilidade que PNI sempre teve na população e o reconhecimento do mundo, para que as pessoas voltem aos índices de cobertura que tínhamos no passado.

O Ministério da Saúde iniciou no último dia 04, uma campanha publicitária para impulsionar a vacinação de adolescentes contra o HPV, onde planejar vacinar um público alvo de 20 milhões de adolescentes. Qual a importância dessa vacina?

R: Esta vacina está entre as mais eficazes disponíveis no Brasil, com resultados de redução de doença nos países em que a cobertura vacinal foi alcançada. De todas as faixas etárias atendidas pelo PNI, com certeza essa é a mais difícil de convencimento, seja por questões mal resolvidas no âmbito moral ou mesmo da crença de ser imune a tudo, inerente a essa faixa etária. Acreditamos que disponibilizar a vacinas em escolas ou ambiente frequentado por esse público alvo, juntamente com divulgação na mídia.

O movimento anti-vacina ainda hoje é presente no Brasil, ainda que em menor escala. Como isso tem prejudicado na conscientização?

R: Infelizmente sofreremos por muito tempo o estrago provocado por este movimento, uma vez que a vacina tem um alto índice de confiança atrelado ao seu resultado, se isso é questionado, perdemos o foco em ampliar acesso para buscar manter ou resgatar os índices que tínhamos. Investir na divulgação da verdade e no acesso a meios confiáveis de se informar, principalmente em entidades oficiais.

Quais são as principais vacinas complementares disponíveis na rede privada, das quais a rede pública não dispõe?

R: Não existe nenhuma vacina disponível no Brasil, tanto na rede pública, quanto na rede privada que não foi comprovadamente atestada a sua eficácia. A rede privada de vacinação conta com diversas vacinas que ainda não foi incorporada ao Programa Nacional de Imunização, por diversos fatores, até mesmo na capacidade de fornecimento em grande escala. Dentre essas vacinas podemos destacar: Vacina contra Meningite do tipo A, C, W, Y e B, Vacina contra Herpes Zoster, Vacina contra Febre Tifoide e Vacina Contra Dengue.

No cenário brasileiro atual, com mais de uma campanha de vacinação acontecendo ao mesmo tempo e com o surto de doenças, qual a importância das vacinas comercializadas pela rede privada?

R: A rede privada de vacinação tem uma característica complementar e auxiliar ao PNI, tendo em vista que a maioria das vacinas incorporadas no programa foi amplamente utilizadas e atestadas a sua eficácia nas clínicas de vacinação, fornecendo dados ao Ministério da Saúde suficiente para que fosse disponibilizada para a população de forma gratuita.

 

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