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Congresso no Rio de Janeiro promove uso de robôs controlados por médicos em cirurgias

Operações mais precisas e seguras, e, por consequência, menos invasivas e traumáticas. Esta é a promessa das chamadas cirurgias robóticas, procedimentos realizados por máquinas de alta tecnologia controladas por médicos com o uso de joysticks semelhantes a videogames. Soa como ficção, mas este tipo de procedimento já é realizado em alguns hospitais no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, e, de acordo com especialistas reunidos a partir desta quinta-feira no Congresso Brasileiro de Cirurgia Robótica, no Rio, tem potencial para revolucionar as intervenções no corpo de pacientes.

Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica (Sobracil), o cirurgião Carlos Eduardo Domene explica que esse tipo de procedimento começou a ser realizado em outros países no início dos anos 2000, e, no Brasil, mais intensamente a partir de 2013. Sua indicação é feita principalmente para casos de laparoscopias — procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos sob o efeito de anestesia.

“Na cirurgia robótica utilizamos grandes máquinas que possuem braços com pinças e ferramentas diversas que emulam o trabalho que seria feito pelas mãos do cirurgião, que passa a ser responsável por comandar o robô por meio de painéis de comando. A vantagem do procedimento está no fato de que a máquina é capaz de realizar movimentos com uma precisão que a mão humana não consegue, causando menos traumas ao corpo do paciente e, por isso, permitindo uma recuperação mais rápida”, afirma Domene.

Outra vantagem, de acordo com ele, é que os robôs cirurgiões possuem diversas câmeras acopladas em seus braços, algumas minúsculas, que permitem ao médico um panorama mais amplo do interior do corpo do paciente no momento da cirurgia — melhor do que aquele que seria conseguido com os seus próprios olhos.

“O uso dessas máquinas trata-se de uma revolução na sala de operação, pois é a primeira vez que temos a possibilidade de inserir uma tecnologia digital entre o olho e a mão do cirurgião e o corpo do paciente. Ele também acaba por centralizar as funções que antes eram realizadas numa cirurgia por pelo menos três cirurgiões nas mãos de um só profissional, mas sem sobrecarregá-lo”.

No Brasil, a máquina cirúrgica mais utilizada em procedimentos do tipo é a Da Vinci, cujo preço pode variar entre US$ 3 e US$ 5 milhões — valor que, de acordo com Domene, tende a cair à medida que a tecnologia evolui e se expande.

No entanto, engana-se quem pensa que essas máquinas vieram para substituir o papel dos cirurgiões nos hospitais: elas apenas complementam a atuação deste profissional, minimizando a possibilidade de erros, mas ainda exigindo a sua habilidade e profissionalismo. Para realizar um procedimento com um robô, por exemplo, o cirurgião precisa passar por horas de estudos e simulações virtuais.

“É preciso conhecer todo o equipamento, e realizar inúmeras simulações antes do cirurgião ir de fato para uma sala de operação. Trata-se de um processo semelhante ao enfrentado por um piloto de avião, que precisa saber para que serve cada elemento da sua cabine e treinar situações diversas antes de levantar voo”, explica Domene.

De acordo com o cirurgião, inclusive, mesmo que a tecnologia permita a realização de operações remotas, este tipo de prática só é realizado em casos extremos:

“É algo possível, mas, do ponto de vista ético, questionável. O médico precisa estar próximo ao paciente para realizar a operação, até para intervir ele mesmo se for necessário.”

Além de promover a utilização da técnica, o congresso da Sobracil pretende discutir a oficialização de normas e padrões de treinamento médico para este tipo de cirurgia, como o estabelecimento de um número mínimo de horas de simulações virtuais — algo crucial para a expansão do procedimento pelo país.

 

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