Análise de dados estatísticos e financeiros orienta a tomada de decisões assertivas no Hospital Evangélico de Londrina


Assegurar a qualidade dos serviços e o crescimento dos negócios é um desafio constante para os gestores, o qual pode ser superado com algumas estratégias, como a mensuração de despesas. O Hospital Evangélico de Londrina, por exemplo, adotou recentemente uma metodologia para apurar custos, a qual permitiu a reformulação de suas tabelas de preços.

O resultado foi um ajuste proporcional nas margens de comercialização de materiais e medicamentos e a elevação dos valores de vendas de diárias, taxas de centro cirúrgico, exames, consultas e procedimento médico hospitalar, baseado em custos reais. “Identificamos melhorias na avaliação de resultados e nas negociações. Assim, conseguimos reverter problemas financeiros causados pela antiga metodologia”, salienta Marcelo Fidelis, gestor de controladoria do Hospital Evangélico de Londrina.

Fidelis também destaca que, agora, a instituição tem mais clareza quanto a custos específicos e maior controle sobre as negociações. “Revisamos sempre a composição de cada serviço, os custos apontados e, então, equilibramos a tabela de propostas. Na negociação com as operadoras de plano de saúde, apresentamos um pacote completo com tudo o que se exige na cobertura dos convênios”, explica.

Percurso

O processo para implantação da nova metodologia no Hospital Evangélico de Londrina incluiu uma série de etapas, conforme conta o diretor executivo da XHL Consultoria, Eduardo Regonha. “Começamos com reuniões setoriais com as gerências, para mapeamento dos processos e alinhamento de desvios. Na sequência, avaliamos os dados estatísticos e financeiros obtidos ao longo de um ano e, então, ajustamos os preços nas tabelas de vendas de serviços, em conjunto com os setores executivo e financeiro”, detalha.

Segundo Regonha, após o primeiro ano de trabalho, as atividades foram direcionadas ao acompanhamento das rotinas e processos implantados, correção de desvios e ajustes decorrentes da mudança de tecnologia e demanda por novas informações. “Apoiamos a criação de novos processos, construção indicadores e técnicas de trabalhos que pudessem atender as expectativas do Hospital frente às tomadas de decisões”, conta.

Desafios

Para atingir os resultados planejados, o principal desafio foi mobilizar os profissionais do hospital. “Alguns resistiam às mudanças e à implantação de controles. Mas, com o apoio da direção e algumas reuniões para convencimento da equipe, conseguimos superar o desafio e, hoje, todos os gestores compreendem a importância de analisar seus custos”, relata Hoeberson Gouveia, consultor sênior da XHL Consultoria.

Neste sentido, Marcelo Fidelis também destaca que o primeiro passo foi influenciar as equipes para que incorporassem a gestão eficiente às suas rotinas. “Permitir que elas participassem das discussões sobre o resultado econômico e financeiro da empresa foi primordial para o entendimento de que custo não é uma responsabilidade apenas da direção ou do setor financeiro, mas de todos”, comenta.

Hoje, os colaboradores do Hospital Evangélico de Londrina têm se interessado mais pela gestão de custos. “Eles têm procurado estudar, se inteirar, estreitar relacionamento com a equipe de custos”, conta Fidelis.

No processo de implementação da nova metodologia, também foi preciso lidar com limitações de ordem tecnológica. O hospital não possuía um sistema de gestão integrado, o que dificultava a análise de resultados. “O maior gargalo no início dos trabalhos foi a carência de informações confiáveis, a ausência de um sistema capaz de gerar dados de forma dinâmica e fidedigna para a tomada de decisão, o que já foi superado”, ressalta o Gouveia.

Cenário

De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mais de 1,3 milhão de brasileiros deixaram de ter planos de assistência médica entre março do ano passado e março deste ano, sendo 617 mil apenas no primeiro trimestre deste ano. Já o Observatório Anahp aponta que o ticket médio por paciente tem sofrido reduções anualmente.

O cenário exige ainda mais competência das empresas e instituições de saúde na gestão dos negócios. “Elas precisam aumentar sua produtividade, fazer mais com o mesmo ou até com menos. Não havendo uma apuração eficiente dos custos, as formatações dos preços de venda de serviços, por exemplo, ficam totalmente comprometidas. Por isso, é fundamental ter um controle confiável e rigoroso”, lembra Hoeberson Gouveia.

Já o gestor de controladoria do Hospital Evangélico alerta que a má gestão não apenas prejudica os resultados das empresas, como impede que elas possam reinvestir no negócio, seja com melhorias ou com a criação de novas oportunidades. “É fundamental chegar ao ponto em que pensar em custos e formas padrão de registrá-los seja natural, sem que isso precise ser sempre lembrado ou cobrado”, comenta.

No que se refere à implementação da cultura de custos, não há um padrão pré-definido, cada caso é específico. O mais importante é o potencial do processo na otimização de recursos e aumento da produtividade das instituições. “Com uma gestão profissional pautada em números reais, que balizem decisões assertivas, as instituições de saúde poderão passar por este momento de crise e sair dele vencedoras e fortalecidas”, finaliza Eduardo Regonha.

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