Especialistas falam sobre como a gestão deve lidar com profissionais contratados e concursados


Image of two young businessmen using touchpad at meeting

Luiz Carlos Nogueira, especialista em gestão de saúde; José Carlos Rizoli, Presidente do INDSH (Instituto Nacional de Desenvolvimento Humano e Social); e Aguinaldo Porto Corrêa, Diretor Operacional do Pró-Saúde; comentam o tema e quais os seus desafios, rotatividade, e se a estabilidade atrapalha ou não os resultados.

A área da saúde, buscando melhorar cada vez mais seus resultados, procura profissionais que valorizem a vida, com uma formação voltada aos cuidados assistenciais, e comprometidos com o bem-estar do usuário. Entretanto, há o desafio da gestão de integrar os diversos colaboradores, concursados e contratados, principalmente quando exercem a mesma função.

Segundo José Carlos Rizoli, Presidente do INDSH (Instituto Nacional de Desenvolvimento Humano e Social), é preciso saber gerenciar equipes com condições e benefícios profissionais diferentes. Além disso, os colaboradores devem ter em mente que possuem uma missão maior, que é cuidar da vida humana.

Um bom caminho começa em investir na capacitação e motivação, despontando com isso as boas lideranças, segundo Rizoli. “Uma das ações do Instituto é oferecer treinamentos constantes. Esse é um fator de oportunidade e paridade para qualquer modelo de contratação.”

Para Aguinaldo Porto Corrêa, Diretor Operacional do Pró-Saúde, a integração dos profissionais é construída no dia a dia. “No primeiro momento, o maior desafio é o ajuste de direitos e deveres contratuais em cada modalidade”.

Ainda segundo Corrêa, independentemente do vínculo da contratação, os resultados são exitosos quando as instituições promovem um ambiente de gestão com foco no resultado, estabelecendo metas, análises de indicadores, além de ampla discussão dos resultados alcançados. A partir disso, é possível propor ações de melhorias contínuas que otimizem a produtividade.

Outro ponto importante, segundo Luiz Carlos Nogueira, especialista em gestão de saúde, é que os profissionais devem ser tratados de forma equivalente. “Na prática vemos, por exemplo, o funcionário concursado mais acomodado, fazendo o trabalho mais leve, e deixando a parte mais pesada para os contratados”

A remuneração e o reconhecimento pelo trabalho também são pontos que devem ser ressaltados. “Não é pelo fato de ser concursado que o funcionário pode ganhar o dobro de quem executa exatamente a mesma função, mas que trabalha muito mais para conseguir o mesmo reconhecimento. A insatisfação vem justamente na discriminação nessa questão do trato e da distribuição das atividades”, comenta Nogueira.

Produtividade

Há um mito de que o funcionário concursado é menos comprometido e, por isso, menos produtivo, segundo Nogueira. “Na minha experiência, tanto no setor público, quanto privado, tenho visto um grau de competência e comprometimento, indistintamente, muito elevados nos dois setores. O fato de ser competente na entrega à empresa, e de estar motivado para o trabalho, tem muito mais a ver com a satisfação, do que com o sistema de trabalho em si”.

Além disso, o concurso não pode ser visto como um fim em si mesmo. “Vemos pessoas buscando no concurso uma maneira de se proteger, de ter estabilidade. Mas, dessa forma, não serão bem sucedidos em longo prazo”.

Rizoli confirma que, em tese, não há desigualdade na produtividade entre os profissionais. “Com base em nossa experiência, o desempenho e a produtividade são semelhantes, sem grandes diferenças. O que pode ocorrer são profissionais concursados não possuírem experiência anterior na função, diferentemente dos celetistas, que normalmente são contratados com alguma experiência para o cargo”.

Turnover

Atualmente, o índice de turnover na Pró-Saúde é de apenas 2%. “Índice plenamente satisfatório, se consideramos a média do mercado. Isso possibilita oxigenar a entidade com novos colaboradores, que renovam ideias e energias nos grupos de trabalho”, comenta Corrêa.

Além disso, a entidade possui absenteísmo médio de 4%. “Pela análise estratificada, identificamos diversas situações e tendências, como doenças, estresse, ou nível de satisfação com a atividade que exerce e com a contratante. Assim, é possível tomar medidas preventivas junto aos colaboradores”, conclui.

No INDSH, segundo Rizoli, a rotatividade para os servidores públicos é pequena, praticamente inexistente. “As características da carreira de servidor público atraem muitas pessoas, principalmente, por vantagens como estabilidade, salários acima da média, jornadas de trabalho menor, licença-prêmio, e aposentadoria integral. Desse modo, o índice de rotatividade é baixíssimo numa gestão mista entre os concursados”, conclui.

Estabilidade

A estabilidade pode ser vista pelo ângulo do funcionário ou do Estado. Para Rizoli, no segundo caso, é uma garantia de que serão formados quadros, ao longo do tempo, independentemente das mudanças de governo.

“A estabilidade é apenas um detalhe dentro de toda a complexa estrutura da gestão pública. O importante é definir o modelo de país e de nação que queremos construir. Ou seja, qual modelo propor para o Estado ser mais produtivo e oferecer mais qualidade de atendimento ao paciente”, salienta Rizoli.

O INDSH parte do princípio de que o engajamento não está ligado à estabilidade, ou de que profissionais que não possuem esta condição sejam mais engajados.

“Temos que partir do pressuposto de que todos os colaboradores possuem sonhos, planos de carreira, metas, e querem se destacar. O engajamento começa pelo sonho pessoal”, diz Rizoli.

Já para o especialista Nogueira, os setores públicos e privados operam com lógicas distintas. O setor público tem as suas regras específicas, e muitas vezes servem para preservar o corpo de funcionários. “A legislação prevê a questão da estabilidade mais como mecanismo. Mas, isso não garante por parte do poder público que essas pessoas estarão engajadas”.

Para isso, é preciso ter metas que sejam desafiadoras e, ainda, investir no suporte, com treinamento, desenvolvimento, oportunidades e reconhecimento. “Não é o fato de ser contratado ou concursado que vai fazer a diferença, e sim se o funcionário está realizado no que vai fazer. Ele deve se conscientizar do valor do que ele está entregando, e de ser reconhecido por isso”, ressalta Nogueira.

Gestão financeira

A gestão financeira, especificamente, sente o reflexo da baixa produtividade dos colaboradores concursados e contratados. Isso porque, qualquer performance abaixo do esperado pode trazer consequências negativas. “Conseguimos perceber que em alguns casos seja preciso mais funcionários exercendo a mesma função. Pois, a desmotivação afeta outras áreas também, como o atendimento, que envolverá o cliente, gerando desconforto em alguns casos”, comenta Nogueira.

*Matéria publicada na edição 37ª da Healthcare Management. Para conferir a edição completa clique aqui

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