Medica 2016 – Jarbas Barbosa, presidente da Anvisa, fala sobre incentivo para exportação e regulamentação de novas tecnologias


À frente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária desde julho de 2015, o médico sanitarista pernambucano Jarbas Barbosa defende uma gestão que beneficia o impacto econômico e tecnológico do setor de saúde no país, mas sem perder o foco na segurança do cidadão. Antes de assumir a presidência da Anvisa para mandato de três anos, Barbosa atuou em diferentes funções no Ministério da Saúde, onde foi secretário de Vigilância em Saúde duas vezes.

Durante a Feira Medica 2016 em Düsseldorf, na Alemanha, a Healthcare Management entrevistou Jarbas Barbosa que, além de falar sobre a participação das empresas nacionais na principal feira de equipamentos médicos e hospitalares do mundo, abordou também temas como incentivo para exportação, importância de parcerias no setor e a relação da tecnologia com os novos tempos.

Como você avalia a importância da participação das empresas brasileiras na Medica 2016?

É fundamental. O mercado brasileiro, tanto o de produtos para saúde quanto o de medicamentos, tem crescido muito durante os últimos 15 nos. O Brasil é um país que está envelhecendo, fruto da boa base tecnológica e do incentivo para o desenvolvimento. Eu acredito que, além de vender para o mercado brasileiro – tanto o mercado público, como o SUS (Sistema Único de Saúde), como o privado –, as empresas nacionais já se encontram em um grau de maturidade capaz de dar um salto e buscar cada vez mais parcerias internacionais, buscando trazer novas tecnologias para o Brasil. Nosso país ainda importa muito mais do que exporta, precisamos diminuir o balanço negativo que ainda temos para o setor de saúde.

Como você analisa a importância de incentivar as empresas nacionais a exportarem?

É fundamental! Primeiro por que as exportações trazem divisas para o Brasil. Segundo que quem exporta, necessariamente, precisa ser o desenvolvedor dos seus próprios produtos e, assim, buscar melhoria constante na qualidade da sua mercadoria. O fato de a Anvisa ter no Brasil um ambiente regulatório muito semelhante ao dos principais países do mundo é uma vantagem para o produtor brasileiro na hora de exportar, pois o mundo inteiro sabe que a Anvisa se encontra dentro de um nível mundial considerado de qualidade e excelência.

Como o sr. avalia a atuação da Abimo, em parceria com a Apex-Brasil, em trazer empresas não só para a Medica, mas também para outras importantes missões internacionais?

Este papel da Abimo, em parceria com a Apex-Brasil, é muito importante. O Brasil precisa exportar mais, precisa se expor mais ao mercado internacional e precisa fazer mais parcerias. Acredito que a participação das empresas em eventos como a Medica, sem dúvida, possibilita muito esse diálogo. Porém, este contato não é importante apenas para as grandes empresas, mas também para as médias e pequenas, que precisam estabelecer parcerias, crescer tecnologicamente e ocupar cada vez mais posição de destaque no mercado.

Quais são as suas perspectivas para 2017?

Em 2017, esperamos que aconteça uma melhoria na área econômica ou, pelo menos, que a gente pare de piorar. Com isso, acredito que o Brasil terá mais condições de desenvolvimento e crescimento. Já no caso da Anvisa, agora que tivemos recentemente a aprovação de participação da Conferência Internacional de Regulação de Medicamentos, queremos fortalecer cada vez mais a convergência regulatória e ter uma ambiente mais parecido ao dos outros países. Para a nova agenda regulatória, que já estamos iniciando, queremos facilitar, agilizar processos e buscar novos temas. Vemos aqui na Medica, por exemplo, tecnologias completamente novas, softwares e integração de medicamento com equipamento médico, ou seja, a Anvisa precisa se preparar também para enfrentar esses novos temas, estimulando e transformando o ambiente regulatório brasileiro.

E a Anvisa não deixa de se modernizar, correto?

Exatamente! Qualquer agência regulatória no mundo hoje precisa se adaptar aos novos tempos, precisa buscar regulamentar produtos que há 10 anos seriam impensáveis. Isso tudo de maneia em que a população tenha mais acesso e que a segurança e eficácia desses produtos também estejam seguradas.

Confira no vídeo abaixo:

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