Hospital Alemão Oswaldo Cruz é um dos primeiros hospitais do Brasil a utilizar robôs de telepresença na medicina


A telemedicina é uma das grandes inovações do mercado de tecnologia médica nos últimos anos. Com as três principais frentes de teleassistência, teleducação e emissão de laudos à distância, essa tecnologia ajuda a reduzir custos em atividades diagnósticas e terapêuticas.

O Hospital Alemão Oswaldo Cruz (HAOC) é um dos primeiros do Brasil a utilizar esta tecnologia. Segundo Jefferson Fernandes, Superintendente de Educação e Ciências do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a unidade colocou em prática, em 2012, o Programa de Telemedicina para Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). O projeto permaneceu até o primeiro semestre de 2015 e fez parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (SUS) em parceria com o Ministério da Saúde.

O programa contou com um investimento de R$ 7 milhões e ofereceu teleconsultoria neurológica com atendimento 24 horas para sete hospitais do país. A equipe de neurologistas com experiência na área de AVC do HAOC ofereceu, por quase três anos e meio, suporte para os médicos de emergência desses hospitais, tanto para diagnóstico quanto para indicações terapêuticas. De acordo com Fernandes, durante esse programa foram realizados mais de 500 atendimentos para pacientes com AVC.

“Quando iniciávamos esse projeto nos hospitais, fazíamos uma análise buscando informações para servirem como referência aos nossos futuros resultados. Comparamos os efeitos do antes e do depois e vimos que conseguimos reduzir o índice de mortalidade intra-hospitalar nesses hospitais, além de reduzir as complicações mais comuns e o tempo de internação dos pacientes. Ademais, aumentamos a taxa do uso de trombolíticos”, revela o superintendente.

Robôs de Telepresença

Os robôs de telepresença são tecnologias inovadoras e representam uma nova forma de aproximar pessoas com diversas aplicações na saúde, educação, negócios e lazer. Na medicina, os robôs proporcionam acesso rápido a especialistas para consultoria remota, agilizando o diagnóstico e a tomada de decisão. O médico pode circular na emergência, ver exames, discutir casos e interagir com equipe de plantonistas.

Atualmente, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz está realizando um projeto de teleintensivismo dentro da sua Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em parceria com a IEK Sistemas Eletrônicos, a unidade investiu em robôs de telepresença que se descolam com facilidade e oferecem a interface de videoconferência, auxiliando na comunicação entre os médicos e pacientes.

“Quando o médico intensivista da UTI acha necessário contatar o médico responsável por determinado paciente, ele se conecta através de smartphone ou tablet, e aciona o médico assistente para estabelecer a discussão necessária. Através do robô de telepresença o profissional médico consegue se comunicar também com o paciente e seus respectivos familiares”, explica Fernandes.

Segundo Luciano Eifler, sócio investidor da IEK Sistemas Eletrônicos, a telepresença aplicada à medicina aumenta a interatividade entre as equipes e permite maior agilidade no diagnóstico e instituição de tratamento precoce. “Em doenças como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), a telepresença auxilia no acesso rápido, em tempo real com neurologistas, cardiologistas e demais membros da equipe médica, qualificando a assistência e evitando sequelas”.

Além do HAOC, Eifler conta que atualmente os robôs de telepresença estão sendo utilizados em estudos piloto em dois hospitais privados de Porto Alegre.

Como funcionam?

Os robôs de telepresença PadBot utilizam tablets como cérebro, são conectados à rede wi-fi local e controlados remotamente pela internet através de smartphones ou tablets. Contam com interface de videoconferência e possibilidade de movimento em todas as direções. A visão do operador remoto é ampliada por lente grande angular e o som transmitido através de amplificador. Os robôs estão sempre prontos para entrar em ação e permanecem conectados em uma base de carregamento (Dock Station).

Os robôs de telepresença (PadBots modelo U1) são equipados com bateria de 7.800 mAh que conferem autonomia de 80 horas em modo standby e 20 horas em uso contínuo. Há também um display que demonstra o nível da carga e, quando a bateria está no fim, o robô procura automaticamente a base de carregamento. Também contam com sensores anticolisão que impedem o robô de encostar em objetos próximos.

Segundo Eifler, os robôs fornecidos pela IEK são produzidos pela empresa Inbot, especializada no desenvolvimento de software e hardware aplicado à robótica. “Os equipamentos contam com avançada tecnologia que agrega sensores anticolisão, carregamento inteligente, 4 velocidades de deslocamento e software com interface amigável e de fácil utilização. O principal diferencial é o baixo custo que permite a popularização do conceito da Telepresença para uso pessoal e corporativo”.

Segurança

Os robôs apresentam sensores de colisão e param automaticamente quando encontram algum obstáculo. São operados à distância, mas sempre acompanhados localmente por algum membro da equipe médica ou de TI.  Somente pessoas autorizadas têm permissão de acesso através de login e senha pessoal. É importante a utilização de rede local exclusiva dedicada para conexão com o robô e adoção de políticas de segurança que contemplem as normas éticas de sigilo médico e privacidade das informações.

*matéria publica na edição 43ª da revista Healthcare Management.

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